Empreendedorismo feminino avança no país e amplia debate sobre planejamento estratégico
Segundo o Sebrae, cerca de 30% dos empreendimentos do estado são liderados por mulheres, o que corresponde a mais de 376 mil empresárias
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O crescimento da participação feminina no empreendedorismo brasileiro tem provocado discussões sobre a sustentabilidade dos negócios liderados por mulheres. Dados do Monitor Global de Empreendedorismo (GEM 2023) indicam que as mulheres já representam 54,6% dos brasileiros que pretendem abrir um negócio até 2026, sinalizando uma mudança no perfil do empreendedor no país.
Apesar do avanço, especialistas apontam que o aumento no número de iniciativas não tem sido acompanhado, na mesma proporção, pela adoção de práticas de gestão estruturadas. A transição do empreendedorismo motivado por necessidade ou intuição para modelos mais estratégicos é apontada como um dos principais desafios para a consolidação desses negócios.
Em Pernambuco, o cenário também é expressivo. Segundo o Sebrae, cerca de 30% dos empreendimentos do estado são liderados por mulheres, o que corresponde a mais de 376 mil empresárias. Para a mentora e especialista em negócios para mulheres Aline Portela, o dado reforça a importância de planejamento e posicionamento para reduzir o risco de encerramento precoce das empresas.
Eficiência e organização
Segundo Portela, muitas empreendedoras iniciam suas atividades sem distinção clara entre trabalho autônomo e gestão empresarial. “Estamos vendo um recorde de intenção de empreender, mas o mercado não absorve modelos improvisados. Sem clareza estratégica e posicionamento definido, o negócio pode até gerar retorno inicial, mas tende a enfrentar dificuldades de continuidade”, avalia.
Outro ponto observado é a busca por modelos que priorizem eficiência e organização do tempo. A especialista aponta que a sobrecarga associada ao empreendedorismo vem sendo questionada, especialmente entre mulheres que buscam conciliar diferentes responsabilidades. Para ela, a criação de processos e estruturas que reduzam a dependência da presença constante da gestora tende a ganhar espaço nos próximos anos.
O posicionamento de mercado também aparece como fator decisivo para o crescimento sustentável. De acordo com Portela, negócios que não definem claramente seu público e sua proposta de valor acabam competindo apenas por preço, o que limita margens e aumenta a carga de trabalho.
Aline Portela atua como consultora e mentora em empreendedorismo feminino, com foco em estratégia e posicionamento de negócios. Desenvolveu uma metodologia voltada à organização e crescimento de empresas lideradas por mulheres, com atuação no Brasil e no exterior.