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Abrasel projeta 2026 de equilíbrio e novos investimentos no setor gastronômico em Pernambuco

Ambiente econômico traz confiança, mas falta de mão de obra qualificada é um dos principais entraves ao crescimento do setor gastronômico pernambucano

Por Cinthya Leite Publicado em 01/01/2026 às 12:51 | Atualizado em 01/01/2026 às 12:57

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Bares e restaurantes de Pernambuco iniciam o ano de 2026 em clima de otimismo cauteloso, mas consistente. É o que transmitiu o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Pernambuco (Abrasel-PE), Tony Sousa, em entrevista ao Passando a Limpo, da Rádio Jornal. Ele conversou com a bancada do programa na quarta-feira (31).  

Depois de um longo ciclo de reconstrução, segundo Tony, o setor entra em uma nova fase, marcada pelo equilíbrio financeiro, retomada dos investimentos e expectativas positivas para a economia estadual. A leitura é de que as feridas abertas durante a pandemia ficaram para trás e deram lugar a um cenário mais organizado, ainda que exigente em termos de gestão.

Para o presidente da Abrasel-PE, o momento simboliza uma virada estrutural, com o "fim das dívidas acumuladas na pandemia e o início de um ciclo de novos aportes". Segundo ele, trata-se de uma transição que redefine a relação do setor com o crédito, o planejamento e o crescimento.

Do endividamento à reorganização financeira

Tony Sousa relembrou que, quando assumiu a presidência da entidade, em maio de 2022, o setor ainda enfrentava um cenário severamente comprometido. "Nós éramos só cinzas", afirmou, ao descrever o peso dos endividamentos acumulados entre 2020 e 2021.

Esse passivo, no entanto, foi sendo amortizado ao longo dos últimos anos, até que 2025 se consolidou como um ponto de inflexão. "Em 2025, a gente praticamente viu as empresas se livrarem desses endividamentos e começarem a investir. Então, nós entendemos que o momento para o nosso setor é bom", avaliaou o presidente da Abrasel-PE.

A reorganização financeira abriu espaço para um movimento mais amplo de expansão. Pernambuco encerrou o período recente liderando a geração de empregos no Nordeste, impulsionado, em grande parte, pela abertura de novos bares e restaurantes, com destaque para o último trimestre do ano, quando o setor voltou a contratar de forma mais robusta.

Ambiente institucional e alinhamento administrativo

Outro fator apontado como determinante para a retomada é o ambiente institucional. Mesmo em campos políticos distintos, as gestões da Prefeitura do Recife e do governo do Estado, na visão de Tony, têm atuado de forma convergente quando o tema é desenvolvimento econômico.

Para o setor gastronômico, diz o presidente da Abrasel-PE, esse alinhamento se traduz em previsibilidade e em melhores condições para operar e crescer.

Tony Souza observou que esse esforço conjunto contribuiu para resultados expressivos no turismo e na cadeia de serviços, como os reconhecimentos ligados à pontualidade aeroportuária e a elevada taxa de ocupação hoteleira registrada no último réveillon, superior a 95%.

Ainda assim, ele pondera que o cenário positivo não elimina os desafios. "O nosso sentimento é que será um bom ano, porém um ano que requer um cuidado, uma atenção diferenciada na gestão", alertou, ao citar especialmente a necessidade de adaptação à reforma tributária e ao novo tratamento dos impostos.

Mão de obra: o principal gargalo de 2026

Se o ambiente econômico inspira confiança, o desafio humano permanece no centro do debate. A escassez de mão de obra qualificada, problema observado em escala global, segue como um dos principais entraves ao crescimento do setor gastronômico pernambucano.

A estratégia defendida pela Abrasel-PE para enfrentar esse cenário passa menos por soluções imediatistas e mais por uma mudança estrutural de mentalidade. Tony Sousa defendeu que bares e restaurantes assumam, de forma consciente, uma "vocação escola", com investimento na formação interna de seus profissionais, processos bem definidos e cultura organizacional sólida.

"Quando você melhora seu jardim, as borboletas vêm", afirmou Tony, ao explicar que tornar o setor mais atrativo é essencial para reter e atrair trabalhadores.

Dentro dessa lógica, algumas frentes ganham destaque em 2026: a valorização salarial, com a defesa da desoneração do primeiro salário para permitir reinvestimento na remuneração; a conquista da isenção de impostos sobre a gorjeta na reforma tributária, ampliando a renda dos colaboradores; e a interiorização das ações da entidade.

Nesse último ponto, a Abrasel aposta na expansão de seus núcleos fora da Região Metropolitana, com atenção especial ao Agreste, ao levar capacitação em gestão e qualificação profissional a todo o estado.

Eventos, interiorização e novas conexões

O calendário de 2026 também aparece como um aliado importante. A expectativa em torno de grandes eventos, como a Copa do Mundo, somada ao período eleitoral, tende a intensificar a movimentação social e turística, com impacto direto em bares e restaurantes.

Paralelamente, projetos como o Abrasel na Estrada e o Conexões Gastronômicas seguem como instrumentos de fortalecimento do setor, ao promover imersões técnicas e trocas de experiência entre gestores e equipes, especialmente no interior pernambucano.

Para Tony Sousa, o reconhecimento do papel dos profissionais é central para sustentar esse novo ciclo. Com as contas em dia e a gestão mais madura, bares e restaurantes iniciam o ano preparados para avançar, atentos aos riscos, mas confiantes no caminho já construído.

Agressão em Porto de Galinhas

Ao comentar, durante o Passando a Limpo, sobre o episódio de agressão a um casal de turistas do Mato Grosso ocorrido em Porto de Galinhas, no Litoral Sul de Pernambuco, Tony Sousa adotou um tom de cautela e equilíbrio.

No dia 27 de dezembro, os empresários Johnny Andrade e Cleiton Zanatta, vítimas das agressões, foram agredidos por comerciantes na Praia de Porto de Galinhas, após se recusarem a pagar um suposto aumento no valor cobrado pelo uso de cadeiras de praia. 

Ao afirmar que "nada justifica uma agressão", o presidente da Abrasel-PE manifestou solidariedade aos visitantes e defendeu uma apuração rigorosa dos fatos, ao destacaro que há versões divergentes sobre o início do conflito e a possível ocorrência de tentativa de extorsão.

Para ele, é essencial que a justiça identifique e responsabilize os culpados, sem que o caso seja tratado de forma sensacionalista.

Além disso, Tony Sousa classificou o ocorrido como um "episódio extraordinário", que não pode comprometer o trabalho contínuo de fortalecimento do turismo em Pernambuco, conduzido pelas gestões municipal e estadual.

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