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Retrospectiva 2025: Um ano movimentado na economia do Brasil e de Pernambuco

Brasil enfrentou ajustes macroeconômicos e Pernambuco retomou projetos estratégicos que apontam para um novo ciclo de desenvolvimento

Por JC Publicado em 21/12/2025 às 19:04

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A economia brasileira atravessou 2025 sob o peso dos juros elevados, mas também sob sinais claros de transformação. Enquanto o país convivia com desaceleração do crescimento, desemprego no menor nível da história, mudanças tributárias e tensões no cenário internacional, investimentos públicos e privados ajudaram a sustentar a atividade. Em Pernambuco, esse movimento ganhou contornos próprios, com a retomada de grandes projetos industriais, avanços em infraestrutura, saneamento e inovação, além de obras e decisões que reposicionaram o Estado no mapa do desenvolvimento nacional. A retrospectiva a seguir reúne os principais fatos econômicos que marcaram o ano, do plano nacional ao local.

O ano no Brasil

1) Juros elevados dominaram o cenário econômico

O Brasil atravessou 2025 sob uma política monetária fortemente restritiva. A taxa Selic permaneceu em patamar elevado, no maior nível em cerca de duas décadas, como resposta do Banco Central à necessidade de conter a inflação e reancorar expectativas. O efeito dos juros altos se espalhou por crédito, consumo e investimentos, marcando o ritmo mais lento da economia ao longo do ano.

2) Crescimento perdeu força no segundo semestre

Após um início de ano mais aquecido, a economia brasileira desacelerou na segunda metade de 2025. O impacto defasado dos juros elevados sobre consumo e financiamento ficou mais evidente, levando o governo a revisar projeções e o mercado a adotar uma postura mais cautelosa. Ainda assim, o país evitou um cenário de retração mais intensa.

3) Desemprego atinge o menor nível da série histórica

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Dois fatores estruturais definem o futuro da economia brasileira: a evolução demográfica e a qualificação da força de trabalho - Divulgação

O mercado de trabalho foi um dos grandes destaques positivos de 2025. O Brasil registrou a menor taxa de desemprego desde o início da série da PNAD Contínua, do IBGE, ao alcançar 5,6%. A forte geração de vagas formais e a expansão do setor de serviços sustentaram renda e consumo, mesmo com juros elevados. Ao mesmo tempo, a resiliência do emprego entrou no radar do Banco Central como possível fonte de pressão inflacionária.

4) Isenção do IR até R$ 5 mil é aprovada

O governo federal aprovou em 2025 a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, uma das principais mudanças tributárias do ano. A medida ampliou a renda disponível de milhões de trabalhadores e foi apresentada como avanço na justiça fiscal. O debate econômico se concentrou nos impactos sobre a arrecadação e nas compensações necessárias para manter o equilíbrio das contas públicas.

5) Reforma tributária avança para regulamentação

Depois da aprovação da emenda constitucional, 2025 foi marcado pelo avanço da regulamentação da Reforma Tributária. O novo modelo do IVA dual — com CBS federal e IBS subnacional — ganhou regras mais claras, prazos e mecanismos de transição. Para empresas, o ano foi de adaptação, planejamento e preparação para a mudança estrutural no sistema de impostos.

6) Contas públicas seguem no centro do debate

O resultado fiscal continuou como um dos principais termômetros da economia em 2025. O governo enfrentou o desafio de equilibrar controle de gastos, manutenção de programas sociais e estímulo ao crescimento. O desempenho das contas públicas influenciou expectativas, juros futuros e decisões de investimento ao longo do ano.

7) Comércio exterior segue em alta

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Os prejuízos recaíram, principalmente, sobre o agronegócio do Vale do São Francisco, com queda nos embarques de mangas e uvas para os EUA - Divulgação

A balança comercial manteve papel estratégico em 2025, com exportações em alta no acumulado do ano. O desempenho foi sustentado principalmente pelo agronegócio e por commodities minerais, garantindo entrada de dólares e ajudando a mitigar pressões externas. O setor seguiu como um dos amortecedores da economia em um cenário global mais incerto.

8) Tarifaço de Trump e tensões no comércio global

O retorno de Donald Trump ao centro da política comercial dos Estados Unidos, com o anúncio de um novo tarifaço sobre produtos importados, trouxe incerteza aos mercados globais. O Brasil entrou no radar por ser exportador relevante de commodities e produtos industriais básicos. O impacto direto foi limitado, mas a medida elevou a volatilidade cambial e reforçou a cautela entre exportadores e investidores.

9) Novo PAC como motor de investimentos

O Novo PAC foi uma das principais vitrines econômicas do governo em 2025. O programa concentrou anúncios, acompanhamento de obras e divulgação de níveis de execução, com foco em infraestrutura, habitação, energia e mobilidade. Além do impacto econômico direto, o PAC também foi usado como instrumento político de estímulo ao crescimento e ao emprego.

O ano em Pernambuco

1) Retomada da refinaria em Suape

O presidente Lula esteve em Pernambuco, em dezembro, para anunciar a retomada das obras da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Ipojuca. A Petrobras confirmou investimento de R$ 12 bilhões para a conclusão do Trem 2. Com a expansão, a capacidade da refinaria deve chegar a 260 mil barris/dia, com estimativa de até 15 mil empregos diretos e indiretos durante a obra.

2) Leilão da Compesa é realizado em dezembro

 

Cauê Diniz/B3
Raquel Lyra bate martelo da concessão da Compesa na B3 - Cauê Diniz/B3

O leilão da Compesa ocorreu em 18 de dezembro de 2025, na B3, consolidando a concessão parcial dos serviços de saneamento. O certame foi vencido pelo consórcio liderado pela Aegea Saneamento, com outorga de R$ 3,53 bilhões. O contrato prevê investimentos superiores a R$ 15 bilhões ao longo de 35 anos para ampliar o abastecimento de água e o esgotamento sanitário.

3) Arco Metropolitano sai do papel

O ano marcou avanço na agenda da mobilidade com a autorização do Arco Metropolitano do Recife. O trecho Sul, ligando a BR-232 à BR-101, teve ordem de serviço emitida, com investimento de R$ 632 milhões. A obra tem 25,3 km e é considerada estratégica para logística, mobilidade e acesso ao Porto de Suape.

4) Saldo positivo de empregos

Mesmo com juros elevados no país, Pernambuco manteve a geração de empregos formais. Entre janeiro e outubro de 2025, o Estado acumulou saldo positivo de cerca de 72 mil vagas, segundo o Novo Caged. Serviços, comércio e construção civil lideraram as contratações ao longo do ano.

5) Novos investimentos em Suape

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Complexo Industrial Portuário de Suape completa 47 anos - DIVULGAÇÃO

O Complexo Industrial Portuário de Suape passou por reposicionamento institucional em 2025, com nova marca e novo layout, alinhados à estratégia de hub industrial e energético. O porto anunciou R$ 1,3 bilhão em investimentos públicos em infraestrutura e atraiu projetos privados de grande porte. Entre eles, a fábrica de e-metanol, com investimento estimado em R$ 2 bilhões, voltada à produção de combustível sustentável. Também foi inaugurado o Senai Park, com R$ 100 milhões em projetos e foco em inovação industrial.

6) Hemobrás é inaugurada com presença de Lula

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A albumina produzida pela Hemobrás tem uso terapêutico e é obtida a partir do fracionamento industrial do plasma doado nos hemocentros por doadores voluntários. - Divulgação

Pernambuco entrou definitivamente no mapa da indústria farmacêutica com a inauguração da Hemobrás, em Goiana, com a presença do presidente Lula. O empreendimento recebeu investimentos acumulados de cerca de R$ 3,7 bilhões e é considerado estratégico para o SUS. A fábrica permitirá ao Brasil reduzir a dependência de importações de hemoderivados, fortalecendo o complexo industrial da saúde e gerando empregos qualificados no Estado.

7) Turismo cresce acima da média nacional

 

Weidson carlos/ Divulgação
Imagem de Fernando de Noronha - Weidson carlos/ Divulgação

O turismo voltou a apresentar desempenho expressivo em Pernambuco. A receita turística cresceu cerca de 10% no acumulado do ano, segundo dados do setor. O Aeroporto do Recife superou 9 milhões de passageiros, consolidando o Estado como hub do Nordeste. 


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