Brasil 2050: Secretária Nacional do Planejamento detalha plano de 25 anos para crescimento sustentável do país
Virgínia de Ângelis detalhou o andamento da Estratégia Brasil 2050, destacando que inação sobre clima pode resultar em perda de R$ 1,5 trilhões no PIB

Diante do cenário atual de mudanças climáticas e seus efeitos cada vez mais visíveis, diversos países intensificaram os planos para discutir saídas sustentáveis para o desenvolvimento. No Brasil, o Governo Federal abriu discussão com os estados e setores da sociedade, para a construção de um plano até 2050.
Em entrevista ao JC, a Secretária Nacional de Planejamento, Virgínia de Ângelis, detalhou o andamento da Estratégia Brasil 2050, apontando a necessidade de uma ação imediata e alertou para os custos de uma eventual inação sobre as questões climáticas.
De acordo com Virgínia, o plano trata de uma orientação para a aplicação de políticas públicas e investimentos nos próximos anos, para garantir um desenvolvimento sustentável para o país.
“O plano não fala de um salto daqui até 2050. Ele quer trazer uma orientação para que as políticas públicas, os investimentos nos próximos anos, e desde já, desde 2025 até 2050, eles possam convergir para esse desenvolvimento de que a gente tanto ouve falar”, afirmou.
O plano, capitaneado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), vem sendo discutido com os estados. Pernambuco receberá evento para discutir o tema na próxima sexta-feira (4), no Centro de Convenções, em Olinda.
“O que a gente vai fazer é apresentar esse processo de construção, falar um pouco do porquê fazer um plano de longo prazo. Afinal de contas, é difícil a gente pensar no motivo de planejar no longo prazo se a gente já tem tantos problemas para resolver no curto prazo. Então, a gente fala um pouco sobre isso também e a gente vai ouvir alguns especialistas, lideranças de setores diversos”, disse Virgínia De Ângelis.
Segundo Virgínia, a Estratégia Brasil 2050 também prevê a discussão de perspectivas regionais, destacando a importância de políticas públicas e investimentos que possam superar os gargalos de infraestrutura nas regiões, ou que garantam mais saúde e educação para a população, ou um aumento de produtividade e competitividade.
"Como eu falei, são desafios que nos unem, desafios sobre os quais não tem dissenso. A questão das desigualdades sociais e regionais, o impacto disso na nossa vida cotidiana, está inequívoco. Então, todos nós temos consenso de que isso deve ser superado”, comentou.
Consenso na discussão de desafios a longo prazo
De acordo com a secretária, a participação de todos os setores da sociedade é fundamental para o funcionamento do plano, que tem como um dos principais desafios a sua manutenção ao longo dos 25 anos, estando sujeito a eventuais trocas de governo.
“Quando a gente fala de longo prazo, a gente fala de vários mandatos presidenciais e numa democracia - e é desejável que continuemos numa democracia - é esperado que haja mudanças”, disse.
“Essa é a nossa grande ambição, que o plano possa ser discutido e ter essa continuidade, ser reconhecido como esse elo integrador das diversas pautas, das diversas ideologias, de posições partidárias”, complementou.
Virgínia também apontou que, ao longo dos diálogos, desde o início do processo de construção da estratégia, a sociedade tem compreendido que desafios a longo prazo se tornam consenso. Entre os temas centrais para debate, a secretária apontou a necessidade de preparar o país para a transição demográfica, destacando “desafios enormes” relacionados ao envelhecimento da população.
Entre os temas centrais para discussão da estratégia, estão:
- Superação de desigualdades sociais e regionais;
- Garantia de aumento de competitividade e produtividade;
- Garantia de crescimento econômico sustentável;
- Enfrentamento das mudanças climáticas;
- Preparação para a transição demográfica
“São temáticas que não geram discussões, na verdade geram muito debate sobre como chegar lá, mas geram convergência. Há muito consenso sobre a necessidade de endereçar esses desafios. Então esse é um debate que gera mobilização. O desafio que a gente tem é integrar a sociedade nesse debate e aí a gente conta com o apoio de vocês para fazer a divulgação para isso”, apontou.
“Agir desde já” e o custo da inação para o Brasil
Reafirmando a necessidade de ações imediatas, Virgínia trouxe dados sobre custos de uma eventual não-ação diante das mudanças climáticas no país. De acordo com a secretária Nacional de Planejamento, em um cenário de aquecimento de 4ºC na temperatura, o país teria uma perda, nos próximos 25 anos, de, pelo menos, R$ 1,5 trilhões no Produto Interno Bruto (PIB) e 3,5 milhões de empregos.
“O que a gente está fazendo é gerar evidências sobre a necessidade de agir desde já. Então, por exemplo, a mudança climática vai ter impactos, e a gente está estimando o custo da não ação. Se a gente não adotar medidas de mitigação e adaptação à mudança do clima, e nos tornarmos mais resilientes e impedirmos o aquecimento global, o impacto disso para o Brasil é muito alto”, enfatizou.
Ainda de acordo com Virgínia, o plano para 2050 está de acordo com as boas práticas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que recomenda aos países a adoção de planejamentos estratégicos a longo prazo. Além do Brasil, países como Índia, Indonésia, China e Peru também possuem planejamentos de longo prazo.
“O que a gente tem feito aqui é se pautar no método que já é utilizado internacionalmente, nessas boas práticas, e construir um plano que olhe para as necessidades do Brasil. Então, é um trabalho, vamos dizer, customizado. Ele tem como base essas boas práticas, mas ele é orientado para os nossos grandes desafios, sem desconsiderar o contexto global. As tendências globais, e hoje a gente vê isso muito claramente, elas nos afetam diretamente”, disse.