Apesar do crescimento do setor de serviços de 2,6% em julho, na comparação com o mês anterior, e o ganho acumulado de 7,9% após a taxa positiva de junho, o setor ainda não conseguiu recuperar as perdas seguidas entre fevereiro e maio (-19,8%). As quedas são acentuadas na relação com julho de 2019, um recuo de 11,9%. No acumulado do ano a queda foi de 8,9% e em doze meses, o volume de serviços ficou em -4,5%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em Pernambuco, os resultados mostram que o setor de serviços no Estado teve um aumento de 4,6%, mas ainda não conseguiu recuperar as perdas econômicas causadas pela pandemia. Entre julho de 2020 e o mesmo período do ano passado, a retração foi de 22,9%. A boa notícia, no entanto, é que o turismo pernambucano teve o melhor desempenho entre os 12 Estados pesquisados no mês de julho.
Segundo o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, a recuperação mais lenta do setor de serviços, em comparação com a indústria e o comércio, se deve à forma heterogênea do setor, bem como ao peso grande, de 70%, que representa na economia, sendo responsável por cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB), além do fato de muitas atividades envolverem atendimento presencial.
De acordo com Lobo, os destaques foram os serviços de informação e comunicação, que aumentaram 2,2% e acumulam um ganho de 6,3% em junho e julho, sem, contudo, superar as perdas de 9,2% dos cinco primeiros meses do ano.
"O avanço do setor foi puxado pelas atividades de portais, provedores de conteúdo e ferramentas de busca na internet, que têm receitas de publicidade; e também pelos aplicativos e plataformas de videoconferência, que tiveram um ganho adicional durante a pandemia", analisou.
Os transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio cresceram 2,3% em julho, com acumulado de 14,4% desde maio, depois de cair 25,2% entre março e abril. De acordo com Lobo, o resultado decorre do transporte rodoviário de carga, com o aumento de demanda por logística.
Também tiveram aumento os serviços profissionais, administrativos e complementares (2%) e outros serviços (3%). Os serviços prestados às famílias caíram 3,9%, depois de crescer 12,2% entre maio e junho. No acumulado do ano, este setor, que inclui serviços como restaurantes e hotéis, apresenta queda de 38,2%.
Das 27 unidades da Federação, 20 apresentaram alta nos serviços em julho, na comparação com junho. Os principais aumentos foram em São Paulo (1,6%) e Rio de Janeiro (3,3%), com destaque também para Rio Grande do Sul (3,5%) e Distrito Federal (5,2%), que têm peso menor no âmbito nacional. As maiores quedas foram no Ceará (-2,5%) e na Bahia (-0,9%).
TURISMO CRESCE
Os serviços de turismo cresceram 4,8% em julho, na comparação mensal, terceira taxa positiva seguida, acumulando alta de 36,1%. As perdas entre março e abril foram de 68,1%, devido ao grande impacto do isolamento social nas empresas de transporte aéreo de passageiros, restaurantes e hotéis.
A expansão ocorreu em nove das 12 unidades da Federação que entram na análise do turismo feita pelo IBGE. No acumulado do ano, as atividades turísticas caíram 37,9%. Na comparação com julho de 2019, a queda ficou em 56,1%. Os destaques foram Pernambuco (18,9), Distrito Federal (15,4%), Rio de Janeiro (11,5%), Minas Gerais (5,5%) e São Paulo (5,4%). As principais quedas ocorreram no Ceará (-23,0%) e em Santa Catarina (-4,8%).
No caso específico de Pernambuco, mesmo que o Estado tenha apresentado um bom desempenho em julho, os índices ainda estão longe de repor as perdas sofridas pelo setor turístico ao longo da pandemia da covid-19. Quando se compara o desempenho pernambucano entre julho de 2020 e o mesmo mês do ano passado, verifica-se uma queda de 62%.
Pernambuco também registrou o quinto mês seguido de perdas, entre março e julho, em relação ao mesmo período do ano passado. Além disso, a variação acumulada de janeiro a junho deste ano, frente ao mesmo período do ano anterior, mostra uma redução de -41,5% no Estado, contra -37,9% no País. A variação acumulada de 12 meses, por sua vez, foi de -24,7% em Pernambuco e -20,9% a nível nacional.
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