"Temos que valorizar nossa cultura": Claudia Raia estrela musical sobre Tarsila do Amaral no Teatro Guararapes
"Tarsila, A Brasileira" será apresentado de 1º a 4 de outubro e conta com participação de Jarbas Homem de Mello, que interpreta Oswald de Andrade
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A vida, a espiritualidade e os desafios vividos por uma das maiores artistas do Brasil chegam ao palco do Teatro Guararapes, em Olinda, entre esta quinta-feira (1º) e domingo (4). No musical “Tarsila, A Brasileira”, Claudia Raia dá vida a Tarsila do Amaral e coloca em cena aquilo que transformou a pintora — e o que foi transformado por ela.
Criadora de Abaporu, uma das obras mais simbólicas da cultura brasileira, Tarsila foi protagonista de um movimento que revolucionou a arte do país.
A pintora redefiniu cores, paisagens, personagens e referências populares brasileiras em uma linguagem artística inédita, capaz de aproximar a vanguarda internacional da identidade nacional.
Com texto e letras de Anna Toledo e José Possi Neto, que também assina a encenação e a direção de arte, a montagem tem Claudia Raia como protagonista e produtora, ao lado de Jarbas Homem de Mello, que interpreta Oswald de Andrade.
A peça atravessa o século XX e leva ao palco ainda ícones como Anita Malfatti, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia, que tiveram força no movimento modernista brasileiro.
Os ingressos estão à venda pela internet, na Cecon Tickets, e na bilheteria oficial do Teatro Guararapes.
A mulher por trás do Abaporu
Em entrevista ao JC, Claudia Raia falou sobre a necessidade de revelar histórias de Tarsila que nunca haviam sido contadas.
“Não podia ficar de fora a Tarsila que amou, que sofreu, que perdeu, que recomeçou. A mulher que viveu relações muito modernas para a época, que enfrentou o etarismo, que nasceu numa família riquíssima e perdeu absolutamente tudo, que encontrou na espiritualidade e na relação com Chico Xavier uma forma de se reerguer depois de perdas devastadoras”, disse.
O convite para a produção do espetáculo, contou, partiu de Tarsilinha, sobrinha-neta da pintora. “A família estava pronta, pela primeira vez, para abrir esse baú”.
Mensagem contemporânea
A potência criativa de Tarsila do Amaral ganhou projeção por sua capacidade de romper padrões, olhar para dentro e criar novas expressões da identidade nacional.
O musical acompanha o retorno de Tarsila de Paris para São Paulo, em 1922, seus encontros artísticos, a vanguarda internacional, a crise de 1929, a fase social de sua pintura e até os desafios enfrentados durante o governo Vargas.
Para Claudia Raia, o que Tarsila e a geração modernista fizeram foi olhar para o Brasil e construir uma linguagem própria.
“Temos que valorizar a nossa cultura, os nossos artistas, as nossas histórias. O Brasil é muito rico culturalmente e às vezes nós mesmos não temos dimensão dessa riqueza”, disse.
Para a atriz, a mensagem das obras de Tarsila permanece contemporânea: “vamos valorizar o que é nosso, continuar criando e buscando alguma coisa que tenha a nossa cara”.
“Os modernistas lançaram bases importantíssimas para tudo o que veio depois na cultura brasileira. Existe ali uma ideia muito potente de absorver o que vem de fora, mas transformar aquilo em outra coisa, criar a partir das nossas referências, das nossas cores, das nossas histórias”, apontou.
Identidade como matéria-prima
Nascida em uma sociedade que reservava às mulheres espaços limitados de atuação, Tarsila construiu uma trajetória singular usando o Brasil como matéria-prima para uma nova estética.
Ao lado de Anita Malfatti, Mário de Andrade, Menotti Del Picchia e Oswald de Andrade, integrou o grupo responsável por uma das mais importantes revoluções culturais do século XX.
“Tarsila queria ser reconhecida como a pintora do seu país. A identidade brasileira estava no centro do que ela fazia. É lindo pensar que, cem anos depois, ela ainda nos provoca a fazer a mesma pergunta: qual é a nossa cara, nossa identidade, nossa força?”, destacou Claudia Raia.
Serviço
Espetáculo “Tarsila, A Brasileira”
Local: Teatro Guararapes – Av. Prof. Andrade Bezerra, s/n, Salgadinho, Olinda
Data: 1º a 4 de outubro
Sessões: quinta-feira, 20h; sexta-feira, 20h; sábado, 15h e 20h; domingo, 18h