"Todos nós temos um pouco do Otávio", diz Luiz Fernando Guimarães sobre "Baixa Sociedade"
Aos 50 anos de carreira, Luiz Fernando Guimarães chega ao Recife com peça e fala sobre humor, teatro, trajetória e criação de personagens
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Completando 50 anos de carreira em 2026, Luiz Fernando Guimarães chega ao Recife com uma trajetória marcada por personagens que se tornaram referências do humor brasileiro.
Conhecido por trabalhos como “TV Pirata” e “Os Normais”, em que dividiu o protagonismo com Fernanda Torres, o ator interpreta Otávio em “Baixa Sociedade”, comédia escrita por Juca de Oliveira e dirigida por Pedro Neschling, que terá sessão única no Teatro Guararapes, no dia 5 de setembro.
Em entrevista ao JC, Luiz Fernando falou sobre a relação com o seu novo personagem, o amadurecimento do trabalho de ator e a permanência do teatro em sua trajetória.
Para ele, seu trabalho atual chegou como uma espécie de celebração: “Otávio, para mim, foi um ‘parabéns para você’”.
O Luiz e o Otávio
A identificação com Otávio foi imediata, justamente porque o personagem se aproxima da maneira como Luiz Fernando costuma construir seus papéis, trazendo-os para perto de si em vez de tentar alcançar uma figura completamente distante.
“Eu não deixo de ser eu, mas também não deixo de ser o personagem”, afirma.
Aos 50 anos de carreira, seu processo de atuação também é alimentado pela memória acumulada ao longo dos anos. Luiz Fernando busca características em pessoas que conhece e recupera referências de trabalhos anteriores para construir o papel.
Em “Baixa Sociedade”, essa experiência encontra Otávio, um homem disposto a improvisar, mentir e criar artifícios para sustentar uma imagem de sucesso diante da família.
Um humor que continua atual
Embora o espetáculo tenha sido escrito na década de 1970, a história ainda encontra ressonância no Brasil de hoje, na leitura do ator. O desejo de ascensão social continua presente em diferentes camadas da sociedade, numa busca que, para ele, nunca termina.
“A mais rica almeja ser mais rica. A classe média almeja ser rica, o pobre almeja ser rico, e assim sucessivamente”, resume.
É desse cotidiano que o espetáculo extrai o humor sem abandonar a reflexão. Para Luiz Fernando, a função do teatro não é entregar respostas, mas levar o público a pensar sobre as questões sem que ele perceba que está recebendo uma lição.
“O bom do teatro é ajudar na reflexão de uma forma que o público não perceba que ele está sendo didático. O didatismo é muito chato.”
Timing, comicidade e reticências
A atenção aos detalhes e às pausas também faz parte dessa construção. Luiz Fernando prefere se definir pela irreverência, e não pela comicidade, e associa o timing à matemática pela precisão de elementos como ponto, vírgula e reticências. “Eu me identifico muito mais com a irreverência do que com a comicidade”, afirma.
No Recife, pretende incorporar referências locais e procurar situações com as quais a plateia possa se identificar, com a finalidade de aproximar o público do cenário. “Eu vou procurar localizações em Recife que o público possa se identificar imediatamente com o espetáculo”, explica.
Luiz Fernando observa a retomada do público aos teatros e entende esse movimento como algo maior que a recuperação de uma linguagem: “O teatro, ele muda a vida das pessoas. Ele muda porque é a vida das pessoas”.
Aos 50 anos, é nesse encontro que Luiz Fernando continua achando sentido para permanecer em cena, numa profissão que ele próprio define como “uma profissão de cura” e que, para ele, continua sendo “ao vivo e à cores”.
SERVIÇO
Baixa Sociedade é Juca de Oliveira com direção de Pedro Neschling
Data: 5 de setembro de 2026, às 20h
Local: Teatro Guararapes, Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda
Duração: 60 minutos
Classificação: 14 anos
Ingressos: a partir de R$ 80 no site