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Museu de Olinda que já foi prisão da Inquisição reabre após dez anos, com acervo de grandes artistas brasileiros

Entre os nomes consagrados do acervo, estão Cândido Portinari, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Tereza Costa Rêgo, Francisco Brennand e Tomie Ohtake

Por Laís Nascimento Publicado em 02/07/2026 às 12:17

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Fechado desde 2014 por problemas estruturais, o Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC-PE), em Olinda, reabriu ao público na última terça-feira (30), após obras de requalificação, conservação e restauro.

Localizado na Rua 13 de Maio, no Sítio Histórico, o equipamento público reúne um acervo com mais de 4 mil obras e documentos, com expoentes da arte brasileira e internacional, mas sofreu uma década de descaso e abandono público.

Para a reabertura, o espaço passou por restauração, implantação de elevador e plataforma de acessibilidade, modernização dos sistemas elétrico, hidráulico e de climatização, nova iluminação expográfica e requalificação paisagística.

O investimento foi de R$ 4 milhões, com recursos da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), do Governo do Estado, e de emendas parlamentares.

A reabertura marca uma data simbólica: os 60 anos de fundação da instituição, celebrada com uma exposição de longa duração dedicada à sua própria trajetória. O museu reúne um dos maiores acervos de arte moderna da América Latina.

Para a presidente da Fundarpe, Renata Borba, o museu é um marco para a cultura pernambucana. “Depois de dez anos, o MAC volta a pulsar no coração de Olinda. Mais do que restaurar um bem cultural, estamos reativando um espaço que integra a alma da cidade, onde convergem arte, história e relações humanas ", ressalta.

Exposições

Silla Cadengue/Fundarpe
Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC), em Olinda, foi reaberto após mais de 10 anos fechado - Silla Cadengue/Fundarpe

A reabertura do MAC-PE é marcada pela mostra de longa duração "MAC 60 anos", que transforma o próprio museu em protagonista da narrativa expositiva.

Distribuída pelos dois pavimentos, a exposição percorre a trajetória do equipamento e reúne pinturas, desenhos, gravuras, vídeos, documentos históricos e obras representativas de diferentes momentos da coleção do espaço.

Organizada em três grandes eixos curatoriais - História do MAC, MAC Coletivo e Mundos do MAC -, a exposição propõe diálogos entre diferentes períodos, linguagens e gerações de artistas.

Além da mostra de longa duração, o MAC inaugurou a exposição temporária “Olinda é de Encantar” na Galeria Tereza Costa Rêgo, que fica ao lado do prédio histórico do Museu.

A mostra traz ao público telas sobre a cidade que ressaltam a arquitetura, a natureza e toda a beleza desse local histórico.

Silla Cadengue/Fundarpe
Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC), em Olinda, foi reaberto após mais de 10 anos fechado - Silla Cadengue/Fundarpe
Silla Cadengue/Fundarpe
Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC), em Olinda, foi reaberto após mais de 10 anos fechado - Silla Cadengue/Fundarpe
Silla Cadengue/Fundarpe
Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC), em Olinda, foi reaberto após mais de 10 anos fechado - Silla Cadengue/Fundarpe

Para Lúcia Padilha, gestora do MAC, o principal objetivo das exposições é contar a história do museu através de artistas que se destacam no cenário nacional e internacional. “Além das obras do acervo, a gente tem também artistas contemporâneos que foram convidados para dialogar com as obras do acervo”, explica.

Museu já foi prisão

O Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC-PE) foi fundado em 1966 com doação de parte da Coleção do Embaixador Assis Chateaubriand (1892-1968) ao Estado.

Entre os artistas consagrados do acervo, estão Cândido Portinari, Tarsila do Amaral, Cícero Dias, Di Cavalcanti, Wellington Virgolino, Tereza Costa Rêgo, Burle Max, Francisco Brennand e Tomie Ohtake.

As obras são de técnicas, épocas e estilos variados, indo desde o academicismo francês até a contemporaneidade.

Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o imóvel foi a única prisão eclesiástica que se tem notícia na história do Brasil durante todo o período da Inquisição.

Era nesse prédio, construído em 1765, que as pessoas acusadas de delitos contra a religião católica romana eram detidas.

Uma década de abandono

BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
SÍTIO HISTÓRICO DE OLINDA // DEPREDAÇÃO DO SÍTIO HISTÓRICO DE OLINDA ÀS VÉSPERAS DO CARNAVAL // OLINDA ALTA. NA FOTO: PRAÇA DO MAC, RUA 13 DE MAIO - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

Apesar do valor cultural, artístico e histórico do MAC para o estado, anos de abandono antecederam as obras de recuperação.

Com atividades comprometidas desde 2014 e interdição em 2016 por danos no imóvel, o equipamento foi alvo de inquérito do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

No documento, o órgão fiscalizador expôs uma série de problemas, incluindo rachaduras, ferragens expostas, vazamento, desprendimento do reboco e instalação elétrica deteriorada representando risco de incêndio.

Na época, os técnicos do TCE alegaram que as demandas colocavam em risco o acervo, os funcionários e os turistas que frequentam o espaço.

Desde o fechamento do equipamento, as licitações limitavam-se a ações paliativas, como manutenção predial preventiva e corretiva ou escoramento metálico para áreas interditadas, com valores entre R$ 13 mil e R$ 63 mil.

Serviço

Exposições “MAC 60 Anos” e “Olinda é de Encantar”
Local: Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC-PE) – Rua 13 de maio, 149, Varadouro, Olinda
Visitação: terças a sextas-feiras, das 9h às 17h; sábados e domingos, das 14h às 17h
Entrada gratuita

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