Cepe Editora lança livro de vencedor de prêmio nacional de literatura
"Os escritos de Blanca Mares", de Roberto Marcos, narra a vida de um homem imerso em luto e loucura desde a morte de sua mulher
Clique aqui e escute a matéria
Uma saga épica que mergulha no Brasil profundo, em que a crítica social que a estrutura é costurada por inserções poéticas de poder reflexivo. Foi assim que a comissão julgadora do 8º Prêmio Cepe Nacional de Literatura destacou o livro vencedor, “Os escritos de Blanca Mares”.
De autoria de Roberto Marcos, o romance foi lançado pela Cepe Editora, reunindo ficção e fatos que atravessaram a vida do autor.
Narrada pelo autor em tom de memória, a história traz para o centro da trama a vida do centenário Timóteo de Oliveira, o Velho Tussa, um homem imerso em luto e loucura desde a morte de sua mulher, Blanca Mares.
Após presenciar a morte de Blanca, Tussa submerge para um mundo próprio, criando a falsa realidade de que a amada, na verdade, viajou para a vizinha Ponta de Areia (BA), para resolver questões familiares.
Neste paralelo, Timóteo vive em um ciclo repetitivo, preenchendo os seus dias com cartas que escreve para Blanca - e espera retorno - e idas a uma estação ferroviária desativada.
“Quando pensei em escrever, me atrevi a reunir duas histórias de dor. Uma dor (a de perder a esposa) que chega à vida de um homem para tamponar outra dor (a de ver a estrada de ferro desmantelar-se). O Velho Tussa, de fato, existiu. A estrada de ferro também”, aponta Roberto Marcos.
A partir do protagonista e da resiliência de um amor que resiste à morte, a história se costura a outras, apresentando novos personagens que fazem de Timóteo agente do tecido social da cidade - abalada por uma chuva de duzentos dias.
“Aprendi com meu livro que o amor, nas muitas das vezes adoecido, pode até pretender que o amado não evolua. Confesso que ainda não sei se isso é bom ou ruim”, pontua o autor.
“Os escritos de Blanca Mares” concorreu com outras 411 obras no último certame da Cepe Editora e manteve-se inédito por mais de uma década.
Para o editor da Cepe, Diogo Guedes, o livro assegura uma experiência imersiva, que “transporta o leitor para um universo palpável, mas quase insólito”.
“Na obra, essa espera vã do Velho Tussa é o que empresta poeticidade, humor e cor aos dias de todos que o cercam. Roberto Marcos ainda consegue criar uma narrativa em que não só o personagem principal é protagonista: a própria cidade de Filadélfia e a sua temporalidade singular se tornam elementos essenciais”, destaca.