Projeto de arteterapia com alunos da ETE Porto Digital resulta em cartilha sobre escuta e emoções
Iniciativa reuniu adolescentes em encontros sobre criatividade, convivência e autoconhecimento e terá publicação distribuída gratuitamente
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A arte como ferramenta de escuta, acolhimento e desenvolvimento emocional guiou o projeto “Soft Skills – Caminhos para criação de si”, realizado com estudantes da Escola Técnica Estadual Porto Digital (ETE Porto Digital), no Recife. A iniciativa, desenvolvida pela “Criativa – Caminhos em arteterapia”, resultou no lançamento de uma cartilha coletiva produzida a partir das experiências vividas pelos próprios adolescentes durante os encontros.
O projeto foi financiado pelo Sistema de Incentivo à Cultura (SIC), da Prefeitura do Recife, e ocorreu ao longo de 12 encontros presenciais. A publicação está disponível gratuitamente no Instagram da iniciativa (@criativa_arteterapia) e também será distribuída aos estudantes da escola no próximo dia 12 de maio.
Idealizada por Hugo Dubeux e Gardênia Fontes, a “Criativa – Caminhos em arteterapia” atua em projetos que unem arte, educação e cuidado emocional. A proposta do “Soft Skills – Caminhos para criação de si” foi trabalhar habilidades emocionais, criativas e relacionais com adolescentes, por meio de atividades de arteterapia, jogos teatrais, escrita, artes visuais e exercícios de expressão criativa.
Segundo Hugo Dubeux, a proposta buscou criar um espaço de pausa e escuta para jovens que convivem com pressões cotidianas ligadas à escola, ao mercado de trabalho e às relações sociais.
“Através da arteterapia e da criação artística, foi possível fortalecer autonomia, comunicação e convivência em grupo, colocando o cuidado emocional no centro do processo formativo”, afirmou.
A cartilha reúne relatos, reflexões e produções desenvolvidas pelos participantes durante os encontros. O material aborda temas como empatia, comunicação, escuta, autoconhecimento e convivência coletiva. Em um dos trechos, os adolescentes refletem sobre “as máscaras que nos moldam” e sobre a importância de criar espaços seguros de acolhimento.
Para Gardênia Fontes, a publicação funciona como um registro afetivo do percurso desenvolvido pelo grupo.
“Ela materializa um percurso de escuta, afeto e criação coletiva, e convida outras pessoas a refletirem sobre suas próprias emoções e formas de se relacionar com o mundo”, disse.
Inclusão e acessibilidade
O projeto também adotou medidas de permanência e acessibilidade para os participantes. Ao todo, foram concedidas 12 bolsas de R$ 500 para os adolescentes envolvidos, como forma de apoiar a continuidade no processo formativo.
Além disso, a cartilha possui versão acessível para pessoas cegas, com QR Code direcionando para audiodescrição do conteúdo.
O estudante Adryan Renan Batista, aluno da ETE Porto Digital e pessoa com deficiência visual, afirmou que se sentiu incluído em todas as atividades propostas.
“A acessibilidade não era só um detalhe. Ela estava presente nos desenhos, nas esculturas, nos poemas e nas interações. Isso me fez sentir muito acolhido”, relatou.
Outro participante, João Guilherme Gomes, destacou as mudanças percebidas ao longo do processo.
“O projeto me ajudou a compreender melhor a mim mesmo e aos outros. Também percebi que soft skills vão muito além do mercado de trabalho, têm relação com escuta, convivência e presença”, afirmou.
Formação além do ensino técnico
A iniciativa surge em meio ao debate sobre a necessidade de ampliar, nas escolas, espaços voltados ao desenvolvimento emocional e às relações interpessoais dos estudantes.
Ao propor atividades centradas em escuta, criação artística e convivência coletiva, o projeto buscou complementar a formação técnica tradicional, estimulando competências como empatia, cooperação, comunicação e pensamento crítico.
Para os organizadores, a experiência também reforça o papel das políticas públicas culturais em ações voltadas à juventude e à educação, especialmente em projetos que incentivam o protagonismo juvenil e a construção coletiva de narrativas.