Arquivos públicos enfrentam desafios estruturais para preservar memória
Em entrevista ao JC, diretor do Arquivo Público de Pernambuco, Sidney Rocha, falou sobre avanços e desafios do setor em todo o País
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Os acervos públicos e a memória documentada em todo Brasil têm passado por mudanças significativas nos últimos anos.
Apesar dos desafios para não perder a história do País em arquivos, novas legislações e diretrizes de transparência visam melhorar a organização dos dados, diante do volume crescente de informações públicas.
Em Pernambuco, o debate ganhou força com a realização da I Conferência Estadual de Arquivos, promovida pelo Arquivo Público do Estado. O encontro integrou o processo nacional coordenado pelo Conselho Nacional de Arquivos e reuniu especialistas, gestores, técnicos, pesquisadores e representantes da sociedade civil.
Ao longo da conferência, foram discutidos desde os processos de produção, organização e preservação de documentos públicos até estratégias para ampliar o acesso e a difusão desses acervos. O evento também resultou na consolidação de propostas para o fortalecimento da política arquivística no país.
Para o diretor do Arquivo Público de Pernambuco, Sidney Rocha, o setor vive um momento de maior maturidade, mas ainda enfrenta desafios estruturais importantes.
“Há avanços, mas ainda há muita desigualdade entre os órgãos. Estamos avançando, mas é um momento delicado e há risco de perdas porque a produção de informação cresceu de forma exponencial, sobretudo no ambiente digital, e nem sempre os mecanismos de controle acompanham esse crescimento. Temos pensado isso com muito cuidado em pernambuco”, destacou.
Os arquivos públicos atuam desde o nascimento do documento até sua preservação permanente ou eliminação responsável, assegurando que a informação pública não se perca e permaneça acessível quando necessária.
Entre as demandas, o diretor pontuou a necessidade de financiamento para arquivos não institucionais, o fortalecimento da gestão documental nos órgãos públicos e a formação continuada para os profissionais.
“Pernambuco vive um momento de transição. Durante muito tempo, o arquivo foi visto como setor secundário, ligado somente à memória histórica, mas essa realidade mudou e a gente está tratando os arquivos como infraestrutura do Estado”, explicou Sidney.
Ele afirmou que “nunca houve tanta consciência sobre a importância dos arquivos públicos, comunitários e privados. Está claro que sem gestão documental não há transparência ou segurança jurídica”.
Durante a conferência, os grupos de trabalho discutiram seis eixos:
- Marco legal e governança arquivística;
- Gestão de documentos;
- Preservação;
- Acesso e transparência;
- Condições de trabalho e formação;
- Arquivos privados e comunitários.
Integração e desafios da digitalização
O diretor do Arquivo Público de Pernambuco chamou atenção para o cuidado com os acervos digitalizados: “A cada dia, o Brasil inteiro perde informações”.
“Quando a gente digitaliza um documento sem critério, sem garantir autenticidade, apenas transfere um problema do papel para o ambiente digital. O documento digital é mais frágil do que parece”, afirmou.
Outro desafio apontado é a fragmentação das informações entre diferentes órgãos.
“Há muitas ilhas de informações e precisamos ter uma rede mais ampla para que elas possam comunicar-se mais e trocar informações que sejam válidas para os cidadãos, além de fazer com que a documentação seja vista como parte estratégica da ação do Estado”, finalizou.