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Exposição no Recife Antigo traz reflexão poética sobre tempo, espaço e paisagens em transformação

Mostra "Submersos", do artista Silvio Mendes Zanchetti, tem visitação gratuita na Arte Plural Galeria até o dia 25 de abril

Por Laís Nascimento Publicado em 06/03/2026 às 19:46

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"O Sertão vai virar mar?", uma evocação à percepção subjetiva do tempo a partir de experiências emocionais e uma nova leitura entre real e imaginado a partir das paisagens. Esses são alguns dos motes da nova exposição que ocupa a Arte Plural Galeria, no Recife Antigo.

“Submersos”, do artista Silvio Mendes Zanchetti e com participação do artista dialogante Marcelo Silveira, reflete sobre tempo, espaço e paisagens em transformação. A visitação à mostra é gratuita e pode ser feita até 25 de abril.

As obras abordam como presença e ausência coexistem como experiências sensíveis e simbólicas e têm origem em duas referências poéticas.

A primeira é o verso "O sertão vai virar mar / E o mar virar sertão", da obra de Glauber Rocha e associado ao filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, que sugere uma transformação contínua entre paisagens e significados culturais.

Já a segunda vem do poeta W. H. Auden, no verso “O tempo são centímetros / E mudanças de alma”, evocando a percepção subjetiva do tempo a partir das experiências emocionais.

“Procuro associar as imagens do Sertão à ausência do tempo e as do mar às ausências do espaço. Uma foto do sertão (ou qualquer outro lugar) é sempre uma fatia do espaço/tempo (Einstein) onde o tempo não tem sentido, pois é uma medida, e só resta o espaço. No mar, o movimento contínuo, faz quase o tempo dispensar o espaço. Essas duas situações têm profundas implicâncias com os nossos sentidos e com os significados percebidos por meio das pinturas”, explica Zanchetti.

Divulgação
Exposição "Submersos", de Silvio Mendes Zanchetti, está em cartaz na Arte Plural Galeria - Divulgação

Com uma evocação à melancolia, a exposição também aborda a dimensão afetiva da temporalidade, com obras que sugerem a tentativa de suspensão do tempo diante da iminência da perda ou da mudança.

As obras do artista são construídas a partir da manipulação dos pixels, com uso de máscaras de cor, sobreposições e diferentes processos de colorificação. Esses procedimentos aproximam a prática digital dos gestos tradicionais da pintura.

“Minha opção plástica foi tratar uma imagem digital a partir de seus elementos constitutivos: os pixels. Também utilizei máscaras de cor, sobreposições e colorificação diversa, procedimentos similares a aqueles que um pintor faria com os instrumentos tradicionais”, explica.

A realização da exposição contou com o acompanhamento do artista Marcelo Silveira, que atuou como interlocutor crítico ao longo de um ano.

Serviço

Exposição “Submersos”
Artista: Silvio Mendes Zanchetti
Artista dialogante: Marcelo Silveira
Local: Arte Plural Galeria - Rua da Moeda, 140, Recife Antigo
Período: até 25 de abril

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