Cultura | Notícia

Festival Rec-Beat critica 'atos de violência' da polícia após apresentação de Djonga

Evento informou que adotará 'as medidas cabíveis e acionará as instâncias competentes para que os fatos sejam devidamente apurados'

Por Emannuel Bento Publicado em 18/02/2026 às 16:10 | Atualizado em 19/02/2026 às 10:02

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O Festival Rec-Beat publicou uma nota de repúdio sobre "atos de violência praticados por agentes de segurança pública" após o show do rapper Djonga, realizado na noite desta terça-feira (18). O artista mineiro se apresentou no último dia do evento, realizado durante o Carnaval. De acordo com o comunicado, pessoas foram agredidas.

O festival informou que adotará "as medidas cabíveis e acionará as instâncias competentes para que os fatos sejam devidamente apurados".

"Nos solidarizamos com as pessoas agredidas. Entendemos que a garantia da segurança pública deve estar alinhada ao respeito aos direitos fundamentais, à integridade física das pessoas e à preservação do caráter cultural e democrático de um evento dessa magnitude", diz trecho da nota.

A noite também contou com Zé Ibarra (RJ), Felipe Cordeiro e Layse (PA) e o trio colombiano Ghetto Kumbé.

Djonga se posicionou

Djonga também se posicionou sobre o ocorrido em uma publicação nas redes sociais. O artista afirmou que policiais estariam impedindo as "rodas punks", comuns em seus shows.

"Eu avisei, com todo o respeito, que o show era assim mesmo. Depois de certa resistência e alguns empurrões na galera, eles saíram. Fui para o público e fiz o de sempre. Mas, no final, depois que saí do palco, começaram a agredir meus fãs numa postura que não tem nada a ver com o cumprimento da lei. Eu não vi nada de errado acontecendo, mas, se tivesse, o certo não era agredir, né?", escreveu.

O repertório do artista foi pautado pela denúncia social e pelo fortalecimento da identidade negra.

"Eu estava com uma saudade enorme do Recife. Tentamos vir na turnê do 'Inocente', não deu. Tentamos vir na turnê do 'Quanto Mais Eu Como Mais Fome Eu Sinto', que a gente tentou organizar, não deu certo também. Acho que assim, os Orixás se prepararam para um momento ainda mais emblemático com esse tanto de gente. Carnavalzão! Último dia de graça para geral, acho que ficou mais bonito ainda. Eu não aguento mais dois anos sem vir ao Recife", disse Djonga no encerramento do seu show.

Trinta anos

Celebrando 30 anos, o Rec-Beat trouxe em sua programação nomes emergentes como NandaTsunami, AJULLIACOSTA e Jadsa se somam a artistas como Djonga, Johnny Hooker e Carlos do Complexo, além de nomes internacionais como o senegales Momi Maiga Quartet e os colombianos Ghetto Kumbé.

A reportagem entrou em contato com a Polícia Militar de Pernambuco para esclarecer o ocorrido, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Confira a íntegra da nota:

"O Festival Rec-Beat vem a público manifestar seu veemente repúdio aos atos de violência praticados por agentes de segurança pública após o show do artista Djonga, realizado na noite de 17 de fevereiro, apresentação que marcou o encerramento da edição histórica de 30 anos do festival.

Nesta edição comemorativa, que reuniu milhares de pessoas em todas as noites de programação, não houve registro de qualquer incidente protagonizado por frequentadores do evento até o momento da intervenção policial.

Nos solidarizamos com as pessoas agredidas. Repudiamos todo e qualquer ato de violência. Entendemos que a garantia da segurança pública deve estar alinhada ao respeito aos direitos fundamentais, à integridade física das pessoas e à preservação do caráter cultural e democrático de um evento dessa magnitude.

Ao longo de três décadas, o Rec-Beat se consolidou como um espaço pacífico, de convivência democrática, diversidade estética e respeito às diferenças. Nosso compromisso é com a arte, com a liberdade de expressão e com a construção de espaços públicos de convivência cidadã.

Informamos que o festival adotará as medidas cabíveis e acionará as instâncias competentes para que os fatos sejam devidamente apurados.

Seguimos firmes na defesa da cultura como território de encontro, respeito e transformação social."

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