Homem da Meia-Noite leva multidão às ladeiras e celebra 94 anos com tributo à ancestralidade
Enredo foi dedicado à ancestralidade afro-brasileira e às nações de maracatu, com homenagens a nomes fundamentais da cultura do Estado
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Olinda atravessou a madrugada de sábado (14) fazendo uma homenagem ao som (e ao silêncio simbólico) dos "Tambores Silenciosos", tema que guiou o desfile de 2026 do Homem da Meia-Noite.
Aos 94 anos, o Calunga voltou a tomar as ladeiras do Sítio Histórico, na Estrada Bonsucesso, e arrastou uma multidão pelo percurso tradicional, reafirmando seu lugar como rito inaugural do Carnaval pernambucano.
O enredo foi dedicado à ancestralidade afro-brasileira e às nações de maracatu, com homenagens a nomes fundamentais da cultura do Estado, como Mãe Beth de Oxum, Siba, Maciel Salú, o Grupo Bongar e o Maracatu Nação Pernambuco.
A proposta de reverência ganhou corpo no cortejo, entre alfaias, estandartes e a presença imponente do gigante.
Cortejo
Do Bonsucesso aos 4 Cantos, passando pelo Largo do Amparo e pelo Guadalupe, o desfile percorreu cerca de quatro quilômetros sob aplausos e celulares erguidos. A multidão acompanhou o Calunga em clima de devoção popular, numa noite marcada por encontros, tradição e celebração coletiva.
Os fogos de artifício sem estampido deram o tom de um desfile atento às novas demandas do Carnaval, reduzindo o impacto sonoro sem abrir mão do espetáculo visual. A medida foi bem recebida pelo público ao longo do trajeto.
Estrutura reforçada
A operação de segurança e saúde foi ampliada neste ano. Três ambulâncias — uma com UTI —, 16 bombeiros civis e viaturas do Corpo de Bombeiros atuaram de prontidão em pontos estratégicos.
A segurança contou com 200 profissionais particulares, 50 guardas municipais e cerca de 600 policiais militares, representando reforço de 40% no efetivo em relação ao ano anterior.
Drones e totens de monitoramento também foram utilizados para acompanhar o fluxo da multidão durante todo o percurso.
Ao final, já de volta à sede, o Homem da Meia-Noite encerrou o desfile sob aplausos e emoção. Entre o silêncio simbólico dos tambores e o som que ecoou pelas ladeiras, o gigante reafirmou que sua força atravessa gerações — e que Olinda continua acordando ao primeiro chamado do seu Calunga.
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