Cultura | Notícia

Prefeitura de Olinda diz que publicará decreto para garantir harmonia entre frevo e baterias de samba

Segundo comunicado, está sendo publicado um decreto "construído de forma conjunta com os diferentes segmentos"; Associação de Frevo criticou baterias

Por Emannuel Bento Publicado em 10/02/2026 às 16:29 | Atualizado em 10/02/2026 às 17:24

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A Prefeitura de Olinda, por meio da Secretaria de Cultura, informou, nesta terça-feira (10), que está construindo um decreto para solucionar os conflitos entre agremiações de frevo e baterias de samba durante o Carnaval.

A gestão informou que há um "diálogo permanente com orquestras de frevo, grupos de bateria e demais agremiações para garantir um Carnaval seguro e organizado".

Segundo o comunicado, está "sendo publicado um decreto construído de forma conjunta com os diferentes segmentos, com o objetivo de assegurar a convivência harmônica entre as manifestações culturais".

"O Município reafirma seu compromisso com a preservação do frevo como patrimônio imaterial e com o respeito às tradições que fazem do Carnaval de Olinda uma referência cultural", conclui a nota.

Associação de Frevo se pronunciou

BRUNO HENRIQUE /JC IMAGEM
Bênção das Agremiações, em Olinda - BRUNO HENRIQUE /JC IMAGEM

Nesta terça-feira (10), a Associação das Agremiações de Frevo de Olinda (Afrevo) publicou uma carta aberta na qual sustenta que a presença de equipamentos sonoros de alta potência das baterias "tem descaracterizado o ambiente sonoro do Carnaval olindense" e interferido "diretamente no desfile das agremiações tradicionais".

"[Isso] atropela os pulmões acústicos dos músicos das orquestras, bloqueia cortejos históricos de forma inadvertida, ameaça o patrimônio material em razão da potência sonora e agride o mais aclamado patrimônio carnavalesco de Pernambuco: o frevo", afirma o documento.

A carta menciona ainda a entrevista concedida pelo Maestro Óseas Leão ao JC, publicada em 2 de fevereiro na série "Maestros do Frevo". Na conversa, o músico afirmou que "não se pode mais circular pelo meio da rua por causa das batucadas".

"Não são escolas de samba — não tenho nada contra, cada um no seu espaço, respeito todos. Mas existe um problema: a gente tem hora para começar e para terminar. Ficamos presos atrás de uma bateria, esperando a boa vontade deles saírem para a gente passar. Os turistas vêm do Rio de Janeiro para quê? Para ver o frevo", declarou. O recorte teve ampla repercussão nas mídias.

Contexto

As baterias de samba têm presença histórica em Olinda — a exemplo do Patusco, fundado em 1962. Nos últimos dez anos, contudo, houve um crescimento mais expressivo dessa categoria nas ladeiras.

A utilização de sons mecânicos, somada ao grande número de integrantes — que pode chegar a 270 por grupo —, tem gerado reclamações relacionadas ao fluxo dos cortejos.

No ano passado, o mestre bonequeiro Silvio Botelho, criador do Desfile dos Bonecos Gigantes, relatou que o tradicional cortejo da terça-feira precisou aguardar a passagem de quatro baterias por mais de uma hora na Rua de São Bento. Diante da demora, o grupo desistiu de seguir o percurso.

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