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Bateria de samba Cabulosa diz que fará percurso fora da Cidade Alta no Carnaval deste ano

Decisão ocorre em meio ao debate sobre o avanço das baterias de samba e o uso de som mecânico em Olinda: "Há diversos problemas a enfrentar"

Por Emannuel Bento Publicado em 10/02/2026 às 15:04 | Atualizado em 10/02/2026 às 21:44

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A bateria de samba Cabulosa, que desfila no Carnaval de Olinda desde 2013, anunciou nesta segunda-feira (9) que irá alterar o percurso no Carnaval deste ano, evitando as vias da Cidade Alta. A informação divulgada inicialmente falava em alterar o percurso apenas em 2027, mas a agremiação antecipou a ação para 2026.

A decisão ocorre em meio ao debate sobre o crescimento das baterias de samba na festa, sobretudo quanto ao uso de som mecânico durante os desfiles. O desordenamento urbano no Sítio Histórico também tem sido alvo de críticas recorrentes.

"Temos certeza que contribuímos muito para a cultura e carnaval da nossa cidade. Isso não vai mudar. Estamos convictos que é o melhor a ser feito por momento. Desejamos que este seja o primeiro passo, para que tudo seja resolvido. Nossa luta não para, só vai mudar de lugar", diz a nota da bateria.

"Vamos fazer um desfile lá embaixo, ou onde a Prefeitura determinar. Quando você faz um trabalho bom, onde quer que esteja, as pessoas acompanham. Enquanto a situação não for resolvida, com ordenamento, sempre vão procurar alguém para responsabilizar", afirmou Múcio Mariano, presidente da Cabulosa.

Ele defende que qualquer solução seja construída de forma coletiva, com diálogo entre a Prefeitura e as agremiações. "Os blocos, em geral, atrasam horários. Há diversos problemas a serem enfrentados", completou.

Associação de Frevo se pronuncia

Nesta terça-feira (10), a Associação das Agremiações de Frevo de Olinda (Afrevo) publicou uma carta aberta na qual sustenta que a presença de equipamentos sonoros de alta potência das baterias "tem descaracterizado o ambiente sonoro do Carnaval olindense" e interferido "diretamente no desfile das agremiações tradicionais".

“[Isso] atropela os pulmões acústicos dos músicos das orquestras, bloqueia cortejos históricos de forma inadvertida, ameaça o patrimônio material em razão da potência sonora e agride o mais aclamado patrimônio carnavalesco de Pernambuco: o frevo”, afirma o documento.

Prefeitura fala em decreto

Em nota, a Prefeitura de Olinda, por meio da Secretaria de Cultura, informou que mantém "diálogo permanente com orquestras de frevo, grupos de bateria e demais agremiações para garantir um Carnaval seguro e organizado".

Segundo o comunicado, está sendo publicado um decreto construído de forma conjunta com os diferentes segmentos, com o objetivo de assegurar a convivência harmônica entre as manifestações culturais.

"O Município reafirma seu compromisso com a preservação do frevo como patrimônio imaterial e com o respeito às tradições que fazem do Carnaval de Olinda uma referência cultural", conclui a nota.

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