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Rec-Beat celebra 30 anos com Djonga e novo selo eletrônico; confira a programação

Johnny Hooker, Felipe Cordeiro, NandaTsunami, AJULIACOSTA, Jadsa e Zé Ibarra integram a programação, realizada no Cais da Alfândega

Por Emannuel Bento Publicado em 05/02/2026 às 13:04 | Atualizado em 05/02/2026 às 15:36

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Há três décadas, surgia um festival que ajudaria a transformar a paisagem do Carnaval do Recife e a impulsionar a vida cultural do Bairro do Recife, então em processo de recuperação após décadas de degradação urbana.

O Rec-Beat chega aos 30 anos com programação gratuita entre os dias 14 e 17 de fevereiro, no Cais da Alfândega, reunindo artistas do Brasil, da América Latina e da África.

Entre os destaques desta edição estão o rapper mineiro Djonga, o cantor Johnny Hooker, que apresenta repertório do novo álbum, e Felipe Cordeiro.

A programação também aposta em revelações como NandaTsunami, AJULIACOSTA, Jadsa e Zé Ibarra, além de atrações internacionais como o senegalês Momi Maiga Quartet e os colombianos Ghetto Kumbé. Você confere a programação completa no fim da matéria.

Moritz amplia espaço da eletrônica dentro do Rec-Beat

@WALL404
Carlos do Complexo será atração do Moritz Festival, do Rec-Beat - @WALL404

De acordo com o diretor do festival, Antonio “Gutie” Gutierrez, a principal novidade que marca as três décadas do evento é o lançamento do Moritz, projeto dedicado à música eletrônica, que estreia já no primeiro dia de programação, em 14 de fevereiro.

“Estamos lançando uma marca, um conceito, dentro do festival, dando prioridade à música eletrônica. Nunca fizemos uma noite temática”, afirma.

Ele explica que o Rec-Beat já vinha incorporando DJs, sobretudo internacionais, nos últimos anos. “Cheguei a tentar uma licença para realizar o Moritz em outro espaço do entorno, mas não consegui. Então, pensamos em usar o mesmo palco, fortalecendo algo que já vínhamos alimentando há um tempo”, diz.

CAIA MARVENTO RAMALHO/DIVULGAÇÃO
Paulete Lindacelva é curadora do Moritz Festival, do Rec-Beat - CAIA MARVENTO RAMALHO/DIVULGAÇÃO

Embora nasça dentro do festival, o Moritz foi concebido como uma plataforma autônoma, com possibilidade de ganhar edições próprias no futuro, voltada à cultura de pista. A curadoria é assinada por Paulete Lindacelva, DJ e produtora pernambucana reconhecida na cena da house music.

Além da própria Paulete, o line-up reúne Carlos do Complexo, a colombiana Piolinda Marcela, SPHYNX, LOFIHOUSEBOY e DAVS.

“A proposta pensa não apenas nos sons essenciais da dance music, mas também na música eletrônica contemporânea brasileira e em suas múltiplas abrangências: o rock doido, a eletrônica da Amazônia, o funk das periferias do Rio e de São Paulo e o brega funk recifense. Que essa estreia seja majestosa e vibrante”, afirma Paulete.

Histórico

ACERVO REC-BEAT
Gutie no Projeto Rec-Beat no Francis Drinks, em 1993 - ACERVO REC-BEAT

A marca Rec-Beat surgiu na primeira metade dos anos 1990, quando Gutie passou a promover festas no antigo Francis Drink’s, localizado na Avenida Rio Branco, no Bairro do Recife.

Em 1995, vieram as primeiras atrações em formato de festival, realizadas no Centro Cultural Luiz Freire, em Olinda.

Quatro anos depois, em 1999, a Prefeitura do Recife convidou o projeto para ocupar a Rua da Moeda, área que ainda não tinha a vocação boêmia que ganharia mais tarde. O festival permaneceu no local até 2003. Apesar da mudança, a organização sempre se manteve independente, sem gestão direta do poder público.

A Moeda recebeu shows que se tornaram emblemáticos, como Cordel do Fogo Encantado, já no formato de banda, além de Lenine, Pinduca, Ira! e Seu Jorge no início da carreira solo.

Neste mesmo período, a cultura de bares cresceu na via, a exemplo do Pina de Copacabana, de Roger de Renor.

ACERVO REC-BEAT
Registro do 1º Festival Rec-Beat, em 1995, no Centro Luiz Freire - ACERVO REC-BEAT

Em 2004, a rua ficou pequena para o crescimento do evento, que se transferiu para o Cais da Alfândega, onde permanece até hoje.

Por lá, passaram nomes nacionais como Gaby Amarantos, Céu e Liniker (três nomes que estão na programação da Prefeitura em 2026), além de artistas internacionais que mais tarde se consolidaram bastante em seus países, como Bomba Estéreo, da Colômbia, e Anita Tijoux, do Chile.

"O Rec-Beat acabou influenciando outros festivais que surgiram. Tenho amigos produtores que confessaram essa inspiração. Acredito que também ajudamos a moldar o formato atual dos palcos do Carnaval", afirma Gutie.

Na avaliação dele, parte dos palcos públicos passou a se aproximar da proposta curatorial do evento. "Por isso, temos investido cada vez mais na pesquisa, em novas apostas, incluindo América Latina, África e música eletrônica. Isso cria uma diferenciação em relação aos outros palcos."

Programação

Sábado (14)
Paulete Lindacelva
LOFIHOUSEBOY
DAVS
Piolinda Marcela
SPHYNX
Carlos do Complexo

Domingo (15)
Afrobitch
Chico Chico
Momi Maiga Quartet
Josyara
FAIZAL MOSTRIXX
AJULIACOSTA

Segunda-feira (16)
Zoe Beats
Barbarize
Jadsa
NandaTsunami
Kikelomo
Johnny Hooker

Terça-feira (17)
Bobi
Afoxé Oxum Pandá
Zé Ibarra
Felipe Cordeiro & Layse
Ghetto Kumbé
Djonga

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