Roda de choro e palestra discutem a relação do gênero com o frevo, no Recife
Evento será promovido pela Escola Pernambucana de Choro no Paço do Frevo, no Bairro do Recife, neste sábado (31), a partir das 11h
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A relevância do frevo pernambucano para o choro nacional é reconhecida por músicos e historiadores, especialmente na primeira metade do século 20.
"Nesse período a importância do Recife foi sensivelmente maior para o choro. Além de inúmeros artistas lá começarem a continuarem sua carreira, surgiu um tipo específico de choro pernambucano", atesta Henrique Cazes, pesquisador e professor da UFRJ.
Apesar do reconhecimento, a contribuição do choro pernambucano para a formação de músicos, inovação de repertório e renovação do próprio gênero na contemporaneidade tem sido pouco estudada e assimilada.
Por isso, a Escola Pernambucana de Choro promove, neste sábado (31), uma roda de choro no Paço do Frevo (Praça do Arsenal, s/n, Bairro do Recife).
Sotaques do Choro
Sob o mote "Sotaques do Choro", o encontro começa com uma palestra a partir das 11h com professores e os convidados o acordeonista Julio Cesar Mendes e o bandolinista Marco Cesar e abordará as particularidades do choro produzido no estado, especialmente a relação com o cenário pernambucano e sua diversidade de ritmos e gêneros.
"É possível identificar, de fato, sotaques distintos de se tocar o choro nos diversos locais do país. Aqui, se usa uma formação musical muito parecida com a de um regional de choro para tocar o frevo de bloco, o que proporcionou uma aproximação muito grande entre os gêneros", explica o maestro e bandolinista Rafael Marques, professora da EPC junto com Junior Teles (pandeiro), Angelo Lima (clarinete e pífano), Helton Migge (bandolim) e Bruno Nascimento (violão de 6 e 7 cordas).
"Nino, o Pernambuquinho", do Maestro Duda, "Cocada", de Lourival de Oliveira, e "Relembrando o Norte", de Severino Araújo, são algumas das composições presentes do repertório deste sábado, cujo acesso é gratuito mediante o ingresso do museu (R$ 10 e R$ 5). As próximas rodas de choro estão marcadas para os dias 21 e 28 de março, após uma pausa durante o carnaval.
Grandes músicos dessa relação
Herdeiros de uma longa tradição de choro, em Pernambuco nasceram e se formaram renomados músicos, compositores e arranjadores do gênero, com destaque no cenário musical choristico brasileiro.
Alguns exemplos são o compositor e bandolinista Luperce Miranda, o violonista João Pernambuco, o bandolinista Rossini Ferreira, o cavaquinista Jacaré, o arranjador e regente da Orquestra Tabajara, Severino Araújo.
Também existe a Orquestra de Cordas Dedilhadas - formada pelo violonista e compositor Henrique Annes, o compositor, instrumentista e Patrimônio Vivo de Pernambuco, Mestre Chocho, o bandolinista, professor e maestro Marcos César e o violonista e compositor Bozó Sete Cordas, entre tantos outros.
Parte dos grandes mestres está viva e continua produzindo e formando discípulos. Há, ainda, uma geração de jovens músicos, compositores e maestros pernambucanos surgidos nas últimas décadas, a exemplo de Alexandre Rodrigues, Bruno Nascimento, Fábio Santos, João Paulo Albertim, Júnior Teles, Helton Migge, as irmãs Maíra e Moema Macêdo, Rafael Marques, Rinaldo Júnior, dentre outros.
Inscrições abertas
A Escola Pernambucana de Choro está com inscrições abertas para as aulas de bandolim, violão de 6 e 7 cordas, pandeiro, cavaquinho, pífano e clarinete, através de formulário disponível no perfil do Instagram (www.instagram.com/escolapernambucanadechoro).
Através do processo formativo, a Escola Pernambucana de Choro abaliza a atuação nos processos de manutenção e nas inovações em torno do choro no estado.
SERVIÇO
Palestra e roda de choro com a Escola Pernambucana de Choro e os convidados Julio Cesar Mendes e Marco Cesar
Quando: 31 de janeiro, das 11h às 13h
Onde: Paço do Frevo (Praça do Arsenal, s/n, Bairro do Recife)
Quanto: Acesso gratuito mediante ingresso do museu (R$ 10 e R$ 5)