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Morre Manoel Carlos, autor de novelas consagradas de TV brasileira, aos 92 anos

Conhecido como Maneco, o escritor, diretor, produtor e ex-ator deixa um legado para a teledramaturgia, com títulos consagrados e legado das "Helenas"

Por Laís Nascimento Publicado em 10/01/2026 às 20:15 | Atualizado em 10/01/2026 às 21:22

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Com informações do Estadão Conteúdo

Morreu neste sábado (10), no Rio de Janeiro, o autor de clássicos da TV brasileira, Manoel Carlos, aos 92 anos. A informação foi confirmada pela família e a causa da morte ainda não foi revelada.

De acordo com o G1, ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde fazia tratamento contra a Doença de Parkinson.

“O velório será fechado e restrito à família e amigos íntimos. A família agradece as manifestações de carinho e solicita respeito e privacidade neste momento delicado”, diz comunicado da produtora da família.

Conhecido como Maneco, o escritor, diretor, produtor e ex-ator deixa um legado para a teledramaturgia, com títulos consagrados como Baila Comigo (1981), Por Amor (1997), Laços de Família (2000) e Mulheres Apaixonadas (2003), na TV Globo.

Manoel Carlos deixa, ainda, legado das "Helenas", protagonistas que marcaram suas novelas e trouxeram os dilemas da classe média brasileiras ao longo das décadas, tendo o Rio de Janeiro como cenário.

Também marcou a televisão com minisséries como "Maysa – Quando Fala o Coração", que foi ao ar em 2009.

Trajetória

Estevam Avellar
Manoel Carlos se consagrou como um dos maiores autores da teledramaturgia brasileira - Estevam Avellar

Manoel Carlos nasceu no dia 14 de março de 1933, em São Paulo, e viveu no Rio por mais de 50 anos. Antes de se consagrar como um dos maiores escritores de telenovelas do país, Maneco foi ator em teatros. Ainda aos 17 anos, subiu aos palcos no "Grande Teatro Tupi", um programa de teleteatro da TV Tupi. Lá, atuou com grandes nomes como Fernanda Montenegro, Nathália Timberg, Sérgio Britto, Fernando Torres, e Flávio Rangel.

Ao longo dos anos, escreveu programas para a televisão, passando por emissoras como a Tupi, a Record, a Excelsior e a Itacolomi.

Antes de estrear como dramaturgo na TV Globo, dirigiu o Fantástico, entre 1972 e 1975. Três anos depois, fez sua primeira novela para a emissora, "Maria, Maria", baseada no romance Maria Dusá, de Lindolfo Rocha. Com ares de superprodução, a trama fez sucesso no horário das seis da tarde.

Maneco levou sua primeira Helena para as famílias brasileiras em 1981, com a novela Baila Comigo. Naquele ano, deu início a uma personagem que o acompanharia em outras oito novelas e marcaria gerações: a heroína que, inspirada na mitologia grega, cuidaria da família e, em meio aos desafios do cotidiano, buscaria a justiça e o amor.

A primeira Helena coube à atriz Lilian Lemmertz. Uma mulher comum e batalhadora, que vivia presa em uma mentira que sustentou por anos a fio. O ponto alto da novela foi quando os gêmeos Quinzinho e João Vitor, filhos de Helena, interpretados por Tony Ramos, mas criados separados, finalmente se encontram.

A última novela escrita por Manoel Carlos, Em Família, foi ao ar em 2014. Coube à atriz Júlia Lemmertz, filha de Lilian Lemmertz, dar vida à última Helena.

Maneco também escreveu novelas e seriados para outros países, entre eles, Estados Unidos, México, Chile, Argentina, Venezuela, Peru, Colômbia e Equador.

Suas obras traziam uma série de discussões. Do alcoolismo à violência contra a mulher, diferentes tipos de preconceito e a importância da doação de medula, o autor colocou no centro do debate temas sociais em contraste com o amor e o dia sempre ensolarado do Leblon, bairro da elite carioca.

Maneco participou da vida de milhões de pessoas em todo o Brasil enquanto suas obras ocupavam o horário nobre da TV.

Manoel Carlos deixa a esposa, Elisabety Gonçalves de Almeida, com quem era casado desde 1981, e as filhas Maria Carolina, escritora e roteirista, e Júlia Almeida, atriz. Maneco perdeu outros três filhos: Ricardo, em 1987, vítima de complicações causadas pelo vírus da Aids; Manoel Carlos Júnior, que em 2012 sofreu um ataque cardíaco; e Pedro Almeida, que morreu de mal súbito em 2014.

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