Artista Lua Lim reflete sobre o desejo em instalações no MAMAM, no Recife
Em 'O Que Me Faz Partir, objetos cortantes de metal deixam de operar no campo da ameaça e passam a produzir brilho, beleza e ambiguidade
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A artista visual Lua Lim apresenta um conjunto de instalações e objetos inéditos que tensionam corpo, desejo e linguagem por meio da arte têxtil, em diálogo com objetos cortantes do cotidiano. As obras integram a exposição "O Que Me Faz Partir", em cartaz no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM), no Centro do Recife.
A abertura acontece neste sábado (10), a partir das 15h. A mostra permanece em cartaz até 29 de março, com visitação de quarta a sexta-feira, das 10h às 17h, e aos sábados e domingos, das 10h às 16h.
A exposição propõe uma reflexão sensível sobre o desejo. Materiais cortantes de metal deixam de operar exclusivamente no campo da ameaça e passam a produzir brilho, beleza e ambiguidade.
"O trabalho nasce de um percurso guiado por instinto e intuição, no qual a inteligência do corpo se sobrepõe à do verbo", afirma a artista, natural de Água Fria, na Zona Norte do Recife, e formada em Design de Interiores.
Objetos atravessados pelo bordado
"O serrote, os punhais, o arame farpado, as agulhas, as lâminas (de tarô e depilação), a foice, as serras dos peixes que vendeu no bairro de Água Fria: cada instrumento de corte e perfuração chega como se ela fosse o ímã", comenta Olívia Mindêlo, curadora da exposição.
Todos esses objetos servem de suporte para a linha vermelha, elemento central da mostra, que se infiltra, atravessa e tensiona o metal por meio do bordado, do crochê, da costura e da pintura em linha.
A exposição apresenta, assim, a produção de uma jovem artista periférica em processo de descoberta e experimentação no campo da arte contemporânea, unindo performance, instalação e arte têxtil em diálogo com uma tradição milenar reinventada por artistas mulheres.
"O gesto de Lua Lim é performático e nasce de um estado contínuo de presença. As ferramentas metálicas não funcionam como ready-mades, mas como suportes de relação: a linha vermelha — insistente, frágil e resistente — confronta aquilo que ameaça rompê-la. Ela se relaciona com a finitude, ora em exercício de controle, ora em entrega e aderência, instaurando um campo de tensão permanente", diz Mindêlo.
SERVIÇO
O Que Me Faz Partir, de Lua Lim
Onde: MAMAM – Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Rua da Aurora, 265 – Boa Vista)
Visitação: até 29 de março, de quarta a sexta-feira, das 10h às 17h, e aos sábados e domingos, das 10h às 16h.
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