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URBANA: mulheres realizam vivências artísticas de graffiti para meninas das periferias do Recife

O Circuito de atividades chega em Santo Amaro e no Arruda em novembro e conclui em Areias em dezembro. Confira detalhes e como participar

Por Zayra Pereira Publicado em 10/10/2025 às 19:17

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O movimento URBANA, que promove experiências com o graffiti para meninas, começa neste final de semana, sempre aos sábados e domingos, das 9h às 17h, no Ibura.

O Circuito de atividades chega em Santo Amaro e no Arruda em novembro e conclui em Areias em dezembro. Serão oito encontros em parceria com associação, centro, espaço e núcleo culturais.

Projeto

A URBANA é a continuidade do movimento de vivências artísticas femininas no graffiti pelas periferias do Recife, com realização das artistas visuais e arte-educadoras pernambucanas autorais Mila Barros, criadora do projeto, além de Iara Izna e Tati Naara, todas de origem periférica.

A maioria das atividades é para crianças (meninas) e a abertura da programação ocorre nos dias 11 e 12 de outubro, no Centro Comunitário Mário Andrade de Lima, no bairro do Ibura, Zona Sul. O circuito também acontece nos dias 1, 2, 29 e 30 de novembro e 6 e 7 de dezembro.

Vale destacar que, em cada periferia contemplada, uma pintura coletiva está garantida nas paredes e muros, sendo assinada pelo público presente como prática de manter vivo o direito à cidade e de valorizar o empoderamento feminino.

“Muita tinta, cor, troca e vivências nas ruas feitas por mulheres periféricas locais. Em ‘URBANA’, as meninas criam desenhos à mão. É um espaço de inspirações, onde a infância e a arte se encontram e a vida acontece”, declara a grafiteira e produtora cultural Mila Barros.

Programação

  • Nos dias 1 e 2 de novembro - Núcleo Comunitário dos Casados, no bairro de Santo Amaro, região Central da cidade;
  • Nos dias 29 e 30 de novembro - Ladobeco, espaço cultural no bairro do Arruda, Zona Norte;
  • Nos dias 6 e 7 de dezembro - Associação de Moradores da Vila Tamandaré, no bairro de Areias, Zona Oeste, para mulheres adultas e idosas.

Esta circulação também é uma ação afirmativa que contribui para o crescimento do movimento de mulheres e meninas nas artes urbanas e cultura hip hop, como o graffiti, que é o tema dos encontros. URBANA tem incentivo público, com financiamento pelo edital Recife Virado nas Periferias - Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio do Ministério da Cultura e Governo Federal, e no município pela Fundação de Cultura Cidade do Recife, Secretaria de Cultura e Prefeitura do Recife.

Vale dizer que todas as referências e técnicas para as atividades são femininas, inclusive a formação da equipe técnica: Palas Camila (coordenação de produção); Joelma Andrade (produção local do Centro Comunitário Mário de Andrade - Ibura); Amanda Dias (produção local do Ladobeco - Arruda); Vera de Santo Amaro (produção local do Núcleo Comunitário dos Casados - Santo Amaro); Thays Medusa (fotografia e audiovisual); Idalice Vitória (identidade visual e design); Renna (Dj); Amanda Bezerra (alimentação) e Carla Barros (financeiro). Dj Renna fica com a discotecagem sempre na segunda data dos encontros, atuando no som e na própria curadoria de bases musicais da cena hip hop.

Thays Medusa/ Divulgação
Imagem de ação do URBANA - Thays Medusa/ Divulgação

“A partir da diversão do que é viver a vida, o circuito tem como objetivo reunir, ampliar e possibilitar o acesso à arte urbana assinada por mulheres, sempre de maneira coletiva e potente, permitindo nós mesmas nos empoderarmos”, acrescenta Iara Izna.

Além de compartilhar saberes artístico-culturais, a busca durante esses encontros é justamente pelo incentivo à atuação feminina na arte periférica, a partir do lazer que a cultura por si só proporciona. Ao mesmo tempo, é um espaço de caminhos para a economia criativa, isso porque o graffiti gera autonomia e renda.

“A gente troca e cresce com muita cor e conhecimento com a realização dessas vivências, onde a presença das mulheres é o que nos faz ainda maiores. Devemos mostrar sempre que essas mulheres existem e resistem, permitindo que sejam influência para outras mais e potências reveladoras de novas artistas”, afirma Tati Naara, à frente também da produção local em Areais, pela Associação de Moradores da Vila Tamandaré.

Origens

O circuito de vivências artísticas femininas de graffiti fez a sua estreia em 2024 como “Empoderarte”, em quatro espaços culturais nas comunidades do Recife: Cores do Amanhã (bairro do Totó - Zona Sul); Gris Solidário (bairro da Várzea - Zona Oeste); Revelar.si (bairro do Coque - região Central) e Coletivo Fala Alto (bairro de Água Fria - Zona Norte).

“Queremos por meio da arte e da cultura fortalecer a luta das mulheres a partir de técnicas artísticas que, além de potencializá-las, contribuem para a afirmação da identidade. A gente traz um debate artístico sobre a entrada e permanência de mulheres nas artes urbanas, assim como sua valorização e reconhecimento”, acrescenta Mila Barros, que também é criadora do movimento “Mais Mães no Rolê”.

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