50 anos do Bodyboarding

Em 07 de julho de 1971 Tom Morey inventava no Havaí o primeiro bodyboard

Imagem do autor
Cadastrado por

Alexandre Gondim

Publicado em 07/07/2021 às 17:41 | Atualizado em 07/07/2021 às 23:24
Notícia
X

Há cinquenta anos atrás na cidade de Kailua na ilha de Oahu no Havaí, Tom Morey queria surfar as ondas de Hanols Beach e sua prancha estava quebrada. Daí ele teve a ideia que mudaria para sempre sua vida. Como sua prancha estava quebrada encontrou na sua garagem um antigo bloco de espuma de polietileno de 2,75 metros pegou numa faca elétrica e cortou-a pela metade. Depois, forrou com papel de jornal e aqueceu com um ferro de passar roupas. Em poucas horas, fez um grande retângulo de 140x60 cm com a parte dianteira quadrada e as bordas externas inclinadas 45 graus foi pegar as ondas que estavam ótimas naquela manhã. Ali surgiu o Bodyboarding,

"Graças ao novo material, sentia as ondas de uma maneira incrível. Notava uma sensação diferente daquela que sentira antes ", segundo suas próprias palavras. Ficou tão entusiasmado com sua nova invenção que logo construiu uma segunda prancha e vendeu ao seu vizinho por 10 dólares. Ao ver o rosto espantado de seu primeiro cliente, o surfista inventor descobriu as possibilidades do seu negócio.

DIVULGAÇÃO
Tom Morey - DIVULGAÇÃO
 

Tom tinha introduzido várias inovações nas pranchas de surfe e apresentado previsões futuristas sobre pranchas na revista Surfer Magazine. Esta prancha que chamou inicialmente Boogie Board, substituía as canaletas e design das pranchas de surfe por "vacuum rails", que quase se agarravam às paredes das ondas. Devoto das religiões de carácter budista, Tom Morey caracteriza as ondas como seres vivos que fornecem dados que nos possibilitam prever o futuro. Criou a Morey Boogie para possibilitar um contacto harmonioso entre as ondas e os praticantes que dominou o mercado durante muito tempo. Sim ele estava prevendo o futuro e iniciando um novo esporte.

Dois anos depois, em 1973, o carioca Marcus Kung ganhou de presente de um amigo, que voltava do Havaí, sua primeira prancha de bodyboard. Usou umas nadadeiras de mergulho, improvisou botões do seu time de futebol de mesa e borracha de soro para fazer seu “slach” e na praia do Leme iniciou o esporte no Brasil.
Em entrevista para o repórter Renato de Alexandrino do O Globo, que também é bodyboarder, disse certa vez: “Minha prancha causou maior curiosidade naquela época. Eu emprestava para todo mundo, era como um rodízio para surfar. Alguns anos depois comecei a me corresponder com as pessoas que produziam as pranchas no Havaí e recebi delas orientações sobre regras, sobre como fazer um campeonato”. Relembra Kung,

DIVULGAÇÃO
Marcus Kal Kung - DIVULGAÇÃO

O primeiro campeonato em ondas brasileiras foi disputado na Praia de Piratininga, em Niterói, em setembro de 1983. Dezesseis bodyboarders participaram e Mário Rutman venceu, com Kung em segundo. Por volta de 1984 o Bodyboarding começou a ser praticado em Pernambuco pelos pioneiros Paulo Montenegro, Alexandre e Elka Roichaman, Aninha Porrete, Leiloca e Guto Amorim entre outros. Guto deu início a um trabalho de divulgação e toda uma primeira geração foi formada levando a criação da ABB (Associação dos Body Boardes de Pernambuco) e aos clubes que chegaram a 7 entidades no estado. Hoje o bodyboarding em Pernambuco é representado pela ABBP (Associação dos Bodyboarders de Piedade) e a Cbrasb organiza o esporte nacionalmente junto com a Liga Nacional e várias Federações espalhadas pelo Brasil tendo como destaque a do Espirito Santo.

DIVULGAÇÃO
Cartaz do primeiro campeonato no Bradsil - DIVULGAÇÃO

“Quero parabenizar todos os bodyboarders do mundo em especial ao Tom Morey, o pai de todos nos bodyboarders, o culpado no bom sentido por tudo isso que acontece hoje. Estou honrado em ser o presidente da Confederação nesse cinquentenário que é um marco na história de qualquer modalidade esportiva e uma forma de presentear é fazer uma gestão profissional levando nosso esporte a um nível nunca antes alcançado com grande eventos. Vida longa ao Bodyboarding e que tenhamos muitos anos a frente desse modalidade maravilhosa” disse Marcello Rocha, presidente da CBRASB.

“Comemorar esses 50 anos do Bodyboarding é lembrar de como esse esporte mudou a minha vida, lembra do menino humilde que veio morar no litoral e de que através dele fiz amizades para a vida toda. Agradeço a Tom Morey por criar esse grandioso esporte e a todos os ídolos que me inspiraram”, festeja Beri Santana presidente da ABBP

Quem fala de Bodyboarding é obrigado a reverenciar esse nome Mike Stewart. O maior bodyboarder de todos os tempos, conseguindo 11 títulos mundiais, embora antes de haver um circuito mundial oficial, e dominando completamente o esporte nas décadas de 1980 de 1990. É um dos poucos a ter conseguido transitar da velha escola de bodyboard para a nova. Nasceu em 17 de maio de 1963 no Havai e com 58anos ainda é presença respeitada em Banzai Pipeline.

DIVULGAÇÃO
Xandinho no pódio do mundial de Pipeline - DIVULGAÇÃO

Entre os brasileiros Alexandre de Pontes, também conhecido como Xandinho, é uma unanimidade quando se fala em ídolo do esporte. Foi um dos primeiros brasileiros a ganhar amplo reconhecimento internacional e o primeiro brasileiro a chegar à final do campeonato mundial de bodyboard em Pipeline, templo máximo do surfe. Sua passagem desse mundo foi precocemente no dia 25/08/1993, aos 25 anos, em um acidente automobilístico em Portugal e até hoje Xandinho é lembrado e enaltecido por seus feitos, seja pela personalidade ou atitude por todo o Planeta.

DIVULGAÇÃO
Guilherme Tâmega em Pipeline EM 1988 - DIVULGAÇÃO

Até hoje foram quase três dezenas de títulos mundiais para o Brasil e uma lista extensa de grandes bodyboarders liderados pelo fenômeno Guilherme Tâmega, apontado desde criança como sucessor do Mike Stwart, conquistou tudo que se esperava dele e hoje mora no Havai e tem Pipeline como sua casa e seu trabalho.

Tenho orgulho dessa história que eu ajudei a escrever como integrante da primeira geração do esporte pernambucano e hoje tenho a honra de conta-la como jornalista e perpetua-la para as novas gerações. Viva Tom Morey, Parabéns o Bodyboarding !

Tags

Autor