Sete meses após receber verba federal, Polícia Militar de Pernambuco ainda não adquiriu câmeras corporais

Estado registra alta de 13,2% no número de mortes decorrentes de intervenções policiais entre janeiro e agosto de 2026, segundo a SDS

Por Raphael Guerra Publicado em 26/09/2026 às 15:20 | Atualizado em 26/09/2026 às 15:21

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Sete meses após receber verba de quase R$ 24 milhões do governo federal, a Polícia Militar de Pernambuco ainda não tem prazo para começar a usar novas câmeras corporais. A Secretaria de Defesa Social (SDS) afirmou que a corporação finalizou um estudo técnico, mas o edital de licitação ainda está em desenvolvimento. 

O uso das bodycams, como os equipamentos também são chamados, é fundamental para garantir a transparência das ações policiais, sobretudo quando há registro de mortes nas abordagens. De acordo com a SDS, 60 óbitos foram registrados entre janeiro e agosto deste ano no Estado. O aumento foi de 13,2% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando 53 mortes foram somadas. 

Ao longo de 2025, o Estado registrou 90 óbitos decorrentes de ações policiais. A alta foi de 34,3% em comparação com 2024, quando houve 67 mortes. 

Em nota, a SDS declarou que o convênio firmado com o Ministério da Justiça e Segurança Pública "contempla a contratação de uma solução tecnológica integrada, incluindo as câmeras [corporais], softwares e todos os serviços necessários ao seu pleno funcionamento". A pasta não divulgou estimativa de quando o edital de licitação será lançado. 

A previsão é de que 72,7% dos equipamentos sejam utilizados pela Polícia Militar na Região Metropolitana do Recife, onde se concentra a maior parte do efetivo. Já 27,3% deverão ser usados pelos profissionais da segurança no interior do Estado. 

SÓ UM BATALHÃO DA PM DE PERNAMBUCO USA CÂMERA

O 17º batalhão da PM, com sede em Paulista, no Grande Recife, é o único que conta com bodycams - foram apenas 187 adquiridos na gestão Paulo Câmara. Mas as câmeras não enviam imagens e sons em tempo real para uma central e a tecnologia é considerada obsoleta, inclusive com registro constante de perdas de gravações.

THIAGO LUCAS/ DESIGN SJCC
- THIAGO LUCAS/ DESIGN SJCC

Desde 2023, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) tem cobrado a apuração dos casos envolvendo mortes em intervenções das forças de segurança. E, em alguns dos episódios, os inquéritos têm apontado para ações classificadas como "homicídio", e não de legítima defesa.

 

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Raphael Guerra

rguerra@tvjornal.com.br

Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Desde 2011, faz a cobertura de temas ligados ao cotidiano, com foco em segurança pública, Justiça e direitos humanos. Escritor, com dois livros-reportagem publicados. Mais de 30 prêmios de jornalismo, entre nacionais e regionais. Me siga no Twitter: @raphaelguerra