Segurança | Notícia

Golpes com Pix são maioria e se concentram entre 15h e 21h, aponta levantamento

De acordo com empresa especializada em prevenção, os criminosos seguem padrões de dias e horários para fazer as vítimas em ambientes virtuais

Por Raphael Guerra Publicado em 31/08/2026 às 14:21 | Atualizado em 31/08/2026 às 14:30

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Os golpes financeiros seguem padrões de comportamento. É o que aponta um levantamento realizado pela Lyfense, empresa especializada em prevenção a fraudes com inteligência artificial. Do total de crimes analisados, 90% aconteceram por meio do Pix.

O estudo também mostrou que 75% dos casos estão relacionados a golpes via pagamentos instantâneos, modalidade em que o criminoso convence a vítima, por meio de engenharia social, a autorizar voluntariamente uma transferência para uma conta fraudulenta.

A empresa não indicou o número de casos analisados no país, mas identificou um padrão temporal recorrente. A maior concentração de ataques ocorre às terças, quintas e sextas-feiras, entre 15h e 21h, enquanto as segundas-feiras e os fins de semana apresentam um volume significativamente menor de ocorrências.

Na avaliação de Carlos Santa Cruz, CTO da Lyfense e professor de Ciência da Computação e Inteligência Artificial na Universidade Autônoma de Madri, esses resultados mostram que os criminosos não atuam de forma completamente aleatória e que compreender padrões de comportamento é um caminho para fortalecer a prevenção.

"Quando analisamos as tentativas de fraude, percebemos que determinados dias da semana e horários aparecem com mais frequência. Esses sinais ajudam a inteligência artificial a identificar operações suspeitas com muito mais precisão", afirmou.

Segundo estatísticas do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, mais de 2,2 milhões de casos de estelionato (por meio tradicional ou virtual) foram registrados pela polícia no país em 2025. Por hora, 258. 

A predominância das fraudes por meio de pagamentos instantâneos também reforça um dos principais desafios enfrentados pelas instituições financeiras. Nessa modalidade, a transação é autorizada pela própria vítima. Por isso, identificar apenas características da operação nem sempre é suficiente para detectar um golpe.

"O desafio passa a ser entender o contexto em que ela acontece. Quanto mais contexto a inteligência artificial consegue analisar, maior sua capacidade de diferenciar uma transação legítima de uma tentativa de fraude", disse Santa Cruz.

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Raphael Guerra

rguerra@tvjornal.com.br

Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Desde 2011, faz a cobertura de temas ligados ao cotidiano, com foco em segurança pública, Justiça e direitos humanos. Escritor, com dois livros-reportagem publicados. Me siga no Twitter: @raphaelguerra