Segurança | Notícia

Operação mira policiais penais suspeitos de corrupção no Presídio de Vitória de Santo Antão

Investigação indica que esquema ilegal beneficiava detento, que ditava regras na unidade. Em troca, profissionais da segurança recebiam propina

Por Raphael Guerra Publicado em 25/08/2026 às 9:42 | Atualizado em 25/08/2026 às 22:10

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Policiais penais estão entre os alvos da operação, deflagrada para combater um forte esquema de corrupção no Presídio de Vitória de Santo Antão, localizado na Mata Sul de Pernambuco. Nesta terça-feira (25), estão sendo cumpridos seis mandados de prisão e 14 de busca e apreensão domiciliar. 

A operação Controle Paralelo, como foi denominada, é resultado de uma investigação do Grupo de Operações Especiais (GOE) iniciada em outubro de 2022, com o objetivo de identificar membros da organização criminosa voltada à prática dos crimes de corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro no presídio. 

De acordo com as informações iniciais, benefícios ilegais eram concedidos a um detento, que ditava regras e administrava pavilhões do presídio, numa função irregular conhecida historicamente como "chaveiro". O esquema envolvia pagamentos de propina para os servidores públicos e para familiares de outros presos. 

O policial penal Emanuel Roberto Franca de Lima, ex-diretor do presídio, foi um dos presos na operação. 

"Os elementos colhidos indicam a atuação de uma organização criminosa voltada à prática de corrupção sistêmica, nas modalidades ativa e passiva, extorsão contra detentos e seus familiares, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, esta última realizada, em tese, mediante a constituição e utilização de pessoas jurídicas vinculadas aos setores de carcinicultura e comercialização de pescados", disse, em nota, a Polícia Civil. 

Os mandados de prisão e de busca e apreensão estão sendo cumpridos nos municípios do Recife, de Vitória de Santo Antão, Escada, Moreno e Ipojuca, além de Maceió (Alagoas).

A Justiça também determinou ordens de sequestro de bens e bloqueio de ativos financeiros. 

O QUE DIZ A SEAP?

Em nota à imprensa, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) declarou que os policiais penais presos na operação não exercem cargos de gestão desde novembro de 2023. "Foram afastados pela atual gestão", disse.

Segundo a Polícia Civil, atualmente Emanoel cumpria funções públicas no Presídio Rorinildo da Rocha Leão, localizado em Palmares, também na Mata Sul, mas não em cargo de chefia.

As defesas do ex-direitor e demais investigados não foram encontradas para comentar o caso.

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Raphael Guerra

rguerra@tvjornal.com.br

Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Desde 2011, faz a cobertura de temas ligados ao cotidiano, com foco em segurança pública, Justiça e direitos humanos. Escritor, com dois livros-reportagem publicados. Me siga no Twitter: @raphaelguerra