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Feminicídio: maioria dos crimes é cometida por companheiros, dentro de casa e com faca

Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 traçou o perfil das vítimas e autores da violência de gênero, que bateu recorde no país em 2025

Por Raphael Guerra Publicado em 27/07/2026 às 12:09

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A maioria dos feminicídios registrados em 2025 foi cometida por companheiros das vítimas. Os crimes ocorreram principalmente dentro de casa e, na maior parte dos casos, com o uso de armas brancas, sobretudo facas.

O perfil das vítimas e autores dos casos de feminicídio foi detalhado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. Oficialmente, 1.571 mulheres foram mortas em razão da condição de gênero no país. Além de representar aumento de 4% em relação a 2024, esse foi o maior número da última década.

"O feminicídio - e boa parte dos demais crimes contra mulheres - é, antes de tudo, a expressão extrema das desigualdades de gênero e das formas de controle e dominação historicamente exercidas sobre as mulheres, do machismo e de um padrão de masculinidade que é violento e, portanto, problemático. Essa mistura faz parte de um caldo cultural que ainda é estruturante da sociedade brasileira", avaliou o documento.

Em relação ao perfil das vítimas de feminicídio em 2025, o Anuário identificou que 65,1% das mulheres eram negras. Apontou também que quase um terço do total (30,9%) tinha entre 18 e 29 anos de idade. 

"Um aspecto que chama atenção no feminicídio é o aumento do risco na entrada da vida adulta. A taxa entre as mulheres de 18 a 24 anos é quatro vezes mais alta do que a faixa que cobre a adolescência (dos 12 aos 17 anos). No caso das mulheres de 25 a 29 anos, a taxa, em comparação com a adolescência, é quase sete vezes mais alta. Isso provavelmente reflete a entrada e consolidação das relações afetivas e conjugais", apontou o Anuário.

RISCO DENTRO DE CASA

As estatísticas, com base nos dados fornecidos pelas secretarias estaduais de segurança, mostraram que 60,9% dos autores de feminicídio foram os companheiros das vítimas. Já 18,9% foram os ex-companheiros. Nos demais casos, os autores eram familiares, conhecidos ou pessoas sem vínculo com a vítima. 

A arma branca (faca, canivete ou outro instrumento semelhante) foi usada na maioria dos feminicídios registrados no país em 2025. Representou 50,8% dos casos. As armas de fogo foram usadas em 22,5% dos crimes.

O estudo ainda indicou que a mulher não está segura dentro de casa. Em 62,5% dos casos de feminicídio, esse foi o local escolhido pelos autores para matá-las. Em 19,7%, os crimes foram praticados em vias públicas. 

"O feminicídio é, sobretudo, uma violência doméstica, relacional e privada. Ele acontece majoritariamente dentro dos espaços destinados à proteção, à intimidade e à convivência familiar - justamente os espaços onde a intervenção do Estado costuma ser mais difícil e onde a violência frequentemente permanece invisível até alcançar seu desfecho mais extremo", afirmou o Anuário. 

O estudo ressaltou que o feminicídio é o último ato de uma escalada da violência, que geralmente começa com ameaças, agressões psicológicas ou outras formas de violência. Por isso, a necessidade da denúncia e da aplicação de medidas protetivas de urgência, caso necessário.  

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Raphael Guerra

rguerra@tvjornal.com.br

Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Desde 2011, faz a cobertura de temas ligados ao cotidiano, com foco em segurança pública, Justiça e direitos humanos. Escritor, com dois livros-reportagem publicados. Me siga no Twitter: @raphaelguerra