Segurança | Notícia

Violência contra a mulher: descumprimento de medida protetiva cresceu 16,7% no Brasil

Em 2025, com recorde de feminicídios no país, mais de 132 mil agressores não cumpriram as ordens judiciais de se afastarem das vítimas de violência

Por Raphael Guerra Publicado em 23/07/2026 às 11:29

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A menos de um mês de completar 20 anos da Lei Maria da Penha, uma estatística divulgada no novo Anuário Brasileiro de Segurança Pública traz um alerta para a segurança das mulheres vítimas de violência doméstica. O país registrou aumento nos casos de descumprimento de medidas protetivas em 2025 - ano em que houve recorde de casos de feminicídio. 

O estudo elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontou que 132.025 medidas foram descumpridas. Houve crescimento foi de 16,7% no número de registros em comparação com 2024, quando 112.695 casos semelhantes foram contabilizados.

No país, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio no ano passado. O aumento foi de 4%. 

"O feminicídio - e boa parte dos demais crimes contra mulheres - é, antes de tudo, a expressão extrema das desigualdades de gênero e das formas de controle e dominação historicamente exercidas sobre as mulheres, do machismo e de um padrão de masculinidade que é violento e, portanto, problemático", destacou o estudo. 

"Essa mistura faz parte de um caldo cultural que ainda é estruturante da sociedade brasileira. E enquanto o enfrentamento das violências que daí emergem não acontecer de forma mais ampla e consistente no âmbito das políticas públicas, seus efeitos continuarão aparecendo nas estatísticas ano após ano", completou. 

Os números demonstram que não basta apenas a Justiça determinar a aplicação de medida protetiva contra os agressores de mulheres. É preciso ampliar a fiscalização, com a Patrulha Maria da Penha, e, se necessário, determinar medidas mais severas - como a prisão preventiva.

Em Pernambuco, a polícia somou 4.358 casos de descumprimento de medida protetiva em 2025. O aumento foi de 14,7% em comparação com o ano anterior, com 3.789 registros.

Ao mesmo tempo, os feminicídios cresceram 12,5% no Estado. Em 2025, foram 88 vítimas (dez a mais em comparação com os casos contabilizados em 2024). Do total de mulheres mortas pela condição de gênero no ano passado, 11 tinham medida protetiva de urgência ativa. 

O estudo do fórum reforçou o alerta.

"Um parceiro que hoje ameaça pode, nas semanas seguintes, partir para a violência psicológica; depois, para a agressão física, para a perseguição, para o descumprimento de uma medida protetiva solicitada pela vítima e, posteriormente, para uma tentativa de feminicídio e para o feminicídio consumado. Evidentemente, nem todos os casos seguem essa trajetória, mas ela está longe de ser rara."

De acordo com levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 85% das decisões de aplicação de medidas protetivas estão sendo proferidas em até 24 horas. 

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