MPPE cobra mapeamento de áreas mais perigosas de Olinda, 4º município mais violento do Estado
Ações serão adotadas para reforçar localidades com maior incidência de mortes e de violência contra a mulher. Guarda Municipal também ganhou recursos
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Olinda é o quarto município de Pernambuco com maior número de mortes violentas intencionais e de registros de violência contra a mulher. Diante desse cenário, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) cobrou medidas - incluindo um mapeamento das áreas mais perigosas - para reforçar a segurança e tentar frear o avanço da criminalidade.
As estatísticas da Secretaria de Defesa Social (SDS) indicaram que ao menos 44 mortes foram registradas em Olinda entre 1º de janeiro e 30 de abril deste ano. Houve aumento de 15,7% em comparação com o mesmo período de 2025, quando 38 casos foram somados pela polícia. O resultado vai na contramão da média estadual, que apresenta redução no número de mortes.
No ranking do municípios mais violentos de Pernambuco, Olinda só perde para o Recife (1º), Jaboatão dos Guararapes (2º) e Petrolina (3º).
Promotoras do MPPE e representantes da Polícia Militar e da Prefeitura de Olinda se reuniram, na última quarta-feira (7), para discutir ações estratégicas, que incluem o fortalecimento da Guarda Municipal para contribuir com ações de segurança urbana.
A iniciativa foi conduzida pelas promotoras de Justiça Soraya Cristina dos Santos Dutra de Macedo e Isabel de Lizandra Penha Alves, das 3ª e 9ª Promotorias de Justiça Criminal de Olinda, que cobraram com urgência um mapeamento detalhado das chamadas "áreas quentes" no município.
Segundo o MPPE, o objetivo é identificar perímetros onde há maior incidência de criminalidade organizada e, simultaneamente, elevados registros de violência doméstica e familiar contra a mulher para direcionar, de forma mais eficiente, as ações de segurança para os territórios mais vulneráveis.
Somente no primeiro quadrimestre deste ano, 842 boletins de ocorrência de violência doméstica foram registrados em Olinda. Nessa modalidade criminosa, o município também é o quarto do Estado com mais casos. A maioria das denúncias são de ameaças, injúrias e lesão corporal - todos previstos na Lei Maria da Penha.
COMPROMISSOS FIRMADOS COM O MPPE
O comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Lenildo Paixão, presente na reunião, se comprometeu a fornecer ao MPPE os dados estatísticos sobre locais com altos índices de mortes e de ocorrências relacionadas à Lei Maria da Penha.
Já a coordenadora da Guarda Municipal/Patrulha Maria da Penha de Olinda, Taianny Moreira, informou que irá repassar às promotorias os dados consolidados da Guarda Municipal sobre os atendimentos às vítimas e das áreas de reincidência de crimes contra a mulher.
DEFICIÊNCIAS ESTRUTURAIS DA GUARDA MUNICIPAL
Outro ponto da reunião foi a definição do uso de recursos oriundos de Acordos de Não Persecução Penal (ANPP) para reestruturar a sede da Guarda Municipal e da Secretaria de Segurança Cidadã de Olinda.
Em visita técnica realizada pelas promotoras, foram identificadas deficiências estruturais e a necessidade de renovação de equipamentos e mobiliário, visando garantir melhores condições de trabalho aos guardas.
Os recursos serão destinados à compra de camas e colchões para áreas de descanso, aparelhos de ar-condicionado, armários, cadeiras ergonômicas e computadores para processamento de dados e elaboração de relatórios operacionais.
Desde julho de 2025, integrantes da Guarda começaram a usar armas de fogo durante o expediente.