MPPE denuncia 2 acusados por homofobia contra assessor do padre Júlio Lancellotti
Segundo denúncia, homens utilizaram referências pejorativas sobre a orientação sexual da vítima, resultando em prejuízos emocionais e profissionais
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O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) denunciou dois homens acusados de homofobia contra um assessor do padre Júlio Lancellotti. Eles foram identificados por meio de quebra de sigilo telemático, após análise de publicações numa rede social.
A coluna Segurança teve acesso com exclusividade à denúncia enviada à Justiça no dia 29 de abril. Os acusados são João Miguel de Andrade Barbosa, que se identifica como Miguel Kazam e afirma ser pré-candidato a deputado federal em Pernambuco, e Davi Melo Mendonça.
Segundo o MPPE, ambos fizeram publicações com ofensas à dignidade e o decoro da vítima, identificada como Marcelo Augusto de Sousa e Silva, "utilizando-se de referências pejorativas acerca de sua orientação sexual, prejudicando-a emocional e profissionalmente, expondo indevidamente a sua imagem, honra e vida privada".
Marcelo é assessor do padre Lancellotti, sacerdote conhecido nacionalmente pela atuação na defesa dos direitos humanos, focando em pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social em São Paulo.
INVESTIGAÇÃO
A investigação apontou que, em 17 de dezembro de 2025, Marcelo tomou conhecimento de que João Miguel publicou um vídeo no Instagram com o título "Sugar daddy, laranja ou compra de silêncio".
"O primeiro denunciado fez diversas insinuações ofensivas acerca de orientação sexual, da vida privada e da atividade profissional da vítima, utilizando expressões tais como: 'afinal, tem como me explicar uma pessoa que é assessor de um padre tem bandeira LGBT na bio e tira foto e segue várias pessoas [que] fazem onlyfans?'", descreveu a promotora Henriqueta de Belli, na denúncia enviada à Justiça.
A conta do acusado no Instagram tem mais de 160 mil seguidores.
Já Davi, em comentário sobre o vídeo, escreveu: "gays, padre assessores [sic]".
Na avaliação da promotora, a publicação feita pelo acusado reforçou "a ofensa à dignidade da vítima em razão de sua condição sexual".
"Há nos autos prova da materialidade e indícios suficientes de autoria", afirmou, na denúncia.
JUSTIÇA
A denúncia está na 7ª Vara Criminal da Capital, que vai decidir se os acusados viram réus pelo crime previsto no artigo 2º-A da Lei nº 7.716/89 (equiparado à homofobia).
Procurado pela coluna, João Miguel informou que ainda não foi notificado sobre a denúncia do MPPE. Mas, quando for, irá se pronunciar na Justiça.
A coluna tenta contato com o outro acusado.