Segurança | Notícia

Pesquisa revela que 7 em cada 10 mulheres já sofreram assédio durante deslocamentos

Levantamento mostra que medo e estratégias de autoproteção fazem parte da rotina feminina na mobilidade, evidenciando falta de segurança nas cidades

Por Raphael Guerra Publicado em 06/04/2026 às 14:18

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Sete em cada dez mulheres no Brasil afirmam já ter sofrido assédio ou algum tipo de violência durante deslocamentos, segundo levantamento divulgado pela empresa Localiza. A pesquisa, realizada em setembro de 2025 com mais de 1,5 mil pessoas com carteira de habilitação, indica que a mobilidade feminina é atravessada por medo, restrições e estratégias de autoproteção.

De acordo com o estudo, 63% das mulheres disseram já ter deixado de ir a algum lugar por insegurança.  O receio também aparece de forma recorrente: 7% afirmaram se deslocar com medo constante, ante 4% dos homens.

Os dados apontam que a circulação feminina é marcada por gestão de risco. Quatro em cada dez mulheres disseram estar frequentemente ou sempre acompanhadas ao sair, enquanto 30% relataram circular com receio. Há também desconhecimento sobre iniciativas voltadas ao tema: 41% afirmaram não conhecer ações específicas para mobilidade feminina.

ALERTA PERMANENTE

Relatos reunidos pela pesquisa reforçam a percepção de vulnerabilidade. Mulheres descreveram o deslocamento como uma experiência de alerta permanente.

No levantamento, o transporte individual aparece como o meio considerado mais seguro pelas mulheres, com avaliação superior a outros modais, como ônibus e metrô. A preferência está associada à sensação de maior controle sobre o ambiente e menor exposição a riscos.

Entre as estratégias adotadas estão o compartilhamento de localização em tempo real, a escolha de rotas mais iluminadas e a restrição de horários e trajetos. 

"Isso revela um desafio estrutural das cidades e reforça a importância de soluções de mobilidade que ofereçam previsibilidade e confiança. A mobilidade do futuro precisa ser simples, fluida e, acima de tudo, segura. Tecnologia, dados e inovação só fazem sentido quando ampliam o acesso, especialmente para as mulheres", afirmou Tatiana Rocha, diretora de marketing da Localiza&Co, plataforma de soluções de mobilidade. 

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