Empresário afirmou à polícia que é CAC e que ia tocar fogo no apartamento da ex-companheira para 'assustar'

André Maia Oliveira, de 48 anos, teve a prisão preventiva mantida pela Justiça nesta sexta-feira (20). Ele deve responder por vários crimes

Por Raphael Guerra Publicado em 20/03/2026 às 12:26 | Atualizado em 20/03/2026 às 14:15

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O empresário André Maia de Oliveira, de 48 anos, afirmou em depoimento à polícia que não tinha a intenção de matar a ex-companheira ao atirar várias vezes na porta para invadir o apartamento dela no bairro do Espinheiro, Zona Norte do Recife. O objetivo, segundo a versão dele, era "assustar" a vítima. 

Novas informações sobre as investigações e a prisão do empresário foram reveladas nesta sexta-feira (20), em coletiva de imprensa na sede da Polícia Civil de Pernambuco. Em audiência de custódia, nesta manhã, a Justiça também manteve a prisão preventiva do suspeito.

André se apresentou à polícia e teve o mandado de prisão preventiva cumprido na tarde da quinta-feira (19), um dia após o crime no Edifício Vila Mariana. Segundo a delegada Larissa Azêdo, da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, o suspeito alegou que estava em um momento de "surto" ao tentar invadir o apartamento da ex-companheira, com quem viveu 20 anos. 

"Ele disse que a intenção não era matar, era assustar. A intenção seria tocar fogo no local e, segundo ele, se suicidar depois", contou a delegada. 

Câmeras do edifício registraram o momento em que André arrombou o portão do estacionamento com um carro e, com uma arma de fogo em punho e um galão de gasolina, tentou ter acesso ao apartamento da vítima. 

EMPRESÁRIO AFIRMOU QUE É CAC

A arma de fogo é uma pistola calibre .380. O suspeito disse à delegada que é CAC (Caçador, Atirador e Colecionador) e que tinha direito ao porte. "Isso ainda está sendo investigado."

Inicialmente, a vítima procurou a delegacia para registrar queixa de ameaça e perseguição contra André em 12 de março deste ano. No dia seguinte, a medida protetiva de urgência foi concedida pela Justiça. Além disso, a polícia também solicitou que o registro de arma de fogo dele fosse suspenso. 

Na avaliação da polícia, o empresário se indignou com a ordem judicial e planejou o crime contra a ex-companheira. No dia em que ele tentou invadir o apartamento, a ex-sogra e o filho do casal, de apenas 8 anos, também estavam no local.

Depois de fugir, sem conseguir consumar o crime, o empresário chegou a fazer novas ameaças por telefone à vítima. 

"Eu tentei derrubar a porta, a gasolina está lá fora, para tocar fogo nessa m**** com vocês dentro. Vocês iam 'cravejar' no fogo do inferno. Tu entendesse ou queres que eu escreva? A sua vida, a partir de hoje, é um inferno", disse trecho da ligação.

RELATOS DE HISTÓRICO DE VIOLÊNCIA

De acordo com a delegada, a vítima relatou que outros tipos de violência já vinham sendo praticados pelo empresário. 

"A violência se iniciou com xingamentos, momentos explosivos, isolamento à vítima. Ela tentou o fim do relacionamento e o agressor não aceitou", contou.

A vítima não relatou agressões físicas à polícia. O casal estava separado desde 6 de março.

CRIMES INVESTIGADOS

Ele é investigado por crimes como quebra de medida protetiva, tentativa de feminicídio, ameaça e perseguição. O inquérito deve ser concluído na próxima semana. 

André está preso no Centro de Observação Criminológica e Triagem (Cotel), em Abreu e Lima. "O custodiado segue sendo submetido aos procedimentos de praxe da unidade prisional", informou, em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização de Pernambuco (Seap/PE). 

DELEGADO REFORÇA IMPORTÂNCIA DA DIVULGAÇÃO DA IMAGEM DO EMPRESÁRIO

Na coletiva de imprensa, o delegado Ivaldo Pereira, gestor da Diretoria Integrada Especializada da Polícia Civil, reforçou a importância de expor à sociedade os nomes e imagens de acusados de cometer crimes contra a mulher para que todos possam ajudar com denúncias.

"Nesse caso do Espinheiro, isso transformou o caçador em caça", pontuou.

"As ações brutais foram realizadas por esse indivíduo. Ficamos perplexos. Havia ali uma família encurralada dentro de casa", disse Pereira, reforçando que a polícia está empenhada em prevenir e reprimir os crimes contra a mulher. 

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