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Cármen Lúcia clama pelo fim do feminicídio "Parem de nos matar, porque nós não vamos morrer"

O ponto mais sensível e impactante da exposição ocorreu quando a ministra abordou a escalada da violência contra as mulheres no País

Por JC Publicado em 18/03/2026 às 20:47

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Em um pronunciamento marcado pelo tom de urgência e defesa dos direitos fundamentais, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, proferiu nesta quarta-feira (18) a aula magna “Sem mulheres não há democracia: representação feminina e enfrentamento da violência política de gênero”. O evento, realizado no Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) com o apoio das embaixadas do Canadá e da Noruega, serviu como palco para um diagnóstico crítico sobre a desigualdade estrutural no Brasil.

O ponto mais sensível e impactante da exposição ocorreu quando a ministra abordou a escalada da violência contra a mulher. Ao classificar o feminicídio no país como uma “epidemia” decorrente de raízes históricas de dominação, Cármen Lúcia lançou um apelo direto contra a letalidade de gênero. “Parem de nos matar, porque nós não vamos morrer”, declarou a magistrada, enfatizando que a resistência feminina é indissociável da sobrevivência física e política das cidadãs.

FERRAMENTA DE EXCLUSÃO

Para a ministra, essa violência não é um fenômeno isolado, mas uma ferramenta de exclusão que se estende ao campo institucional. Ela destacou que a política, que deveria ser um espaço de mediação e paz, tem se tornado um cenário de "guerras particulares", onde mulheres são tratadas como inimigas apenas por desejarem participar das decisões do país. Segundo Cármen Lúcia, o descompasso entre a igualdade prometida pela Constituição e o "descuido" cotidiano com a vida das mulheres compromete a própria sustentabilidade da democracia brasileira.

A magistrada também chamou a atenção para o machismo institucionalizado, exemplificando como as reações emocionais são julgadas de forma distinta no plenário: enquanto o choro de um homem é lido como sensibilidade, o de uma mulher é rotulado como "loucura" ou insegurança. Ela pontuou que tais estigmas, somados às fraudes em cotas de gênero e aos ataques a candidatas, formam uma estrutura montada para impedir o acesso feminino ao poder.

SEM CULPABILIZAR AS VÍTIMAS

Ao encerrar sua participação, Cármen Lúcia reforçou que a justiça tem avançado ao rejeitar teses que culpabilizam as vítimas, mas reiterou que o fortalecimento democrático depende de dar "vez" a quem já tem voz. A ministra expressou o desejo de um futuro onde a liberdade feminina seja plena, permitindo que as mulheres ocupem qualquer espaço de forma autêntica e segura.

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