Segurança | Notícia

Segurança é o principal problema do Recife para 63% dos moradores, aponta pesquisa

Apesar da redução no número de mortes e das queixas de roubos na capital, sensação de insegurança permanece alta entre os recifenses

Por Raphael Guerra Publicado em 12/03/2026 às 10:12 | Atualizado em 12/03/2026 às 15:25

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Mesmo com a redução no número de mortes violentas intencionais e no registro de roubos - observada nos últimos meses -, a sensação de insegurança permanece alta entre os moradores do Recife. Pesquisa aponta a segurança pública como o principal problema na avaliação de 63% das pessoas que vivem na capital pernambucana.

A segunda edição da pesquisa "Viver em Recife: Qualidade de Vida" foi publicada nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec.

O coordenador de relações institucionais do Instituto Cidades Sustentáveis, Igor Pantoja, pontuou que, apesar de a segurança ser apontada como o principal problema entre os moradores do Recife, a porcentagem ainda é menor em comparação com o resultado do Rio de Janeiro (75%) e de São Paulo (56%). 

"Essa percepção alta [de insegurança no Recife] ainda contrasta com alguns indicadores recentes de redução da criminalidade. Mas a sensação de segurança não é só baseada na estatística oficial dos crimes cometidos. Essa é uma percepção mais ampla das pessoas sobre o medo de sair na rua, de situações de controle territorial muitas vezes", explicou. 

Pantoja citou que conflitos entre grupos criminosos por disputa de territórios é um dos fatores que amplia o medo na população. 

"Gera essa percepção de insegurança, de temor nas pessoas, mesmo que não tenha tanta evidência de que [os crimes] estejam aumentando, o que de fato não vem acontecendo", afirmou. 

De acordo com estatísticas oficiais da Secretaria de Defesa Social (SDS), 78 pessoas foram mortas no Recife nos primeiros dois meses deste ano. Houve queda de 24,3% em comparação com o mesmo período de 2025, quando 103 vidas foram perdidas.

Em relação aos roubos, a polícia somou 1.716 queixas entre janeiro e fevereiro deste ano. No mesmo período de 2025, foram 3.315 casos. A queda foi de 48,3% no número de boletins de ocorrência.

SAÚDE E ENCHENTES TAMBÉM PREOCUPAM

A área da saúde aparece em segundo lugar, citada por 26% dos entrevistados. Em seguida, as enchentes e inundações, mencionadas por 24%. Nesse último caso, houve aumento de 14 pontos percentuais em relação ao levantamento realizado no ano passado.

A pesquisa ouviu 300 moradores do Recife com 16 anos ou mais, residentes há pelo menos dois anos. As entrevistas foram realizadas online entre 1º e 27 de dezembro de 2025. O nível de confiança do levantamento é de 95%, com margem de erro estimada em seis pontos percentuais, para mais ou para menos.

QUALIDADE DE VIDA AVALIADA

O estudo também indicou que 45% dos moradores dizem que a qualidade de vida na cidade "melhorou muito" ou "melhorou um pouco" nos últimos 12 meses. Outros 32% afirmam que a situação permaneceu estável, enquanto 20% dizem que "piorou um pouco" ou "piorou muito".

Apesar disso, 63% dos entrevistados afirmam que deixariam Recife se tivessem oportunidade. No levantamento anterior, esse percentual era de 67%.

O Instituto Cidades Sustentáveis é uma organização da sociedade civil criada em 2007, em São Paulo, com o objetivo de fortalecer as instituições públicas e a democracia, promover o debate sobre as mudanças do clima e mobilizar a sociedade civil e gestores públicos para a implementação de políticas públicas estruturantes.

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