Segurança | Notícia

Vendedor relata agressão de PM no festival Rec-Beat, no Bairro do Recife

Vítima de 27 anos, que prefere não se identificar, teve corte na testa e levou sete pontos. Caso está sendo apurado pela Corregedoria

Por Raphael Guerra Publicado em 19/02/2026 às 16:23

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Um vendedor de 27 anos afirma que foi agredido por um policial militar no festival Rec-Beat, no Bairro do Recife, área central da capital pernambucana. Segundo a vítima, que teve um corte na testa e precisou levar sete pontos, o ato de violência ocorreu durante a apresentação do rapper Djonga, na madrugada da quarta-feira (18).

A vítima preferiu não se identificar. Ele contou que parte do público participava de uma "roda punk", movimento comum nos shows do Djonga, quando os policiais militares avançaram para que os fãs parassem. 

"Não acontecia briga, nada ilícito perto, nada que justificasse a ação policial. Na minha situação, eu estava pulando, esbarrei no policial, que já se virou me agredindo com um cacetete", contou o vendedor, em entrevista à TV Jornal

"Assim que ele me bateu, abri os braços e perguntei o motivo da agressão. Ele simplesmente ficou me olhando e recuou com o restante dos policiais", complementou. 

O vendedor não foi o único agredido por policiais militares. Djonga chegou a parar a apresentar e pedir para que o efetivo não impedisse os fãs de fazer a "roda punk".

"Meus amigos da polícia, por gentileza, esse é o meu show. É assim mesmo que é o show. [...] Cada um no seu corre, sem confusão. Eu estou no maior respeito, mas, tipo assim, meu show é assim mesmo. Se puder dar licença do meio da 'roda punk', esse é o meu show", afirmou o cantor. 

Depois disso, conforme vídeos na internet, parte do público vaiou e arremessou objetos contra policiais, o que também foi repudiado por Djonga. 

Nesta quinta-feira (19), acompanhado de um advogado, o vendedor compareceu à Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS), no bairro da Boa Vista, para formalizar uma queixa contra o policial militar que o agrediu.

A vítima esteve no Instituto de Medicina Legal (IML), em Santo Amaro, onde passou por exames de corpo de delito. Por fim, compareceu à Delegacia de Rio Branco, onde também registrou um boletim de ocorrência. 

GABRIEL FERREIRA/JC IMAGEM
Advogado Lucas Enock, representa a defesa do vendedor agredido - GABRIEL FERREIRA/JC IMAGEM

"Estamos tomando todas as medidas cabíveis em relação a esse caso estarrecedor. As pessoas estão lá para se divertir, num evento reconhecido internacionalmente pela diversidade. Infelizmente, acontece esse tipo de situação inaceitável. Vamos buscar a responsabilização criminal, administrativa e cível, inclusive responsabilizando o Estado", afirmou o advogado Lucas Enock. 

O QUE DIZ A POLÍCIA E A SDS?

Em nota, a Polícia Militar afirmou que houve intervenção durante o show para "cessar uma 'ocorrência de vias de fato envolvendo diversos indivíduos' que estariam cercando a patrulha que atendia a situação no local". 

A corporação declarou que ""foi necessário o uso 'moderado e progressivo da força' para conter o tumulto, garantir a integridade física da equipe e realizar a prisão de um indivíduo que resistia ativamente". O suspeito foi conduzido à delegacia por desacato e resistência. 

Já a Corregedoria da SDS, também em nota, informou que iniciou uma investigação preliminar para apurar o caso. 

Denúncias podem ser feitas presencialmente na Avenida Conde da Boa Vista, nº 428, na Boa Vista. Também é possível entrar em contato por telefone ou pelo WhatsApp, no número (81) 3184-2714, ou pelo e-mail: denuncia@corregedoria.sds.pe.gov.br.

FESTIVAL DIVULGOU NOTA LAMENTANDO EPISÓDIO

Na quarta-feira, o festival Rec-Beat publicou uma nota de repúdio sobre "atos de violência praticados por agentes de segurança pública" e disse que adotará "as medidas cabíveis e acionará as instâncias competentes para que os fatos sejam devidamente apurados".

"Nos solidarizamos com as pessoas agredidas. Entendemos que a garantia da segurança pública deve estar alinhada ao respeito aos direitos fundamentais, à integridade física das pessoas e à preservação do caráter cultural e democrático de um evento dessa magnitude", disse trecho da nota.

Djonga também se posicionou sobre o ocorrido em uma publicação nas redes sociais.

"Eu avisei, com todo o respeito, que o show era assim mesmo. Depois de certa resistência e alguns empurrões na galera, eles saíram. Fui para o público e fiz o de sempre. Mas, no final, depois que saí do palco, começaram a agredir meus fãs numa postura que não tem nada a ver com o cumprimento da lei", escreveu. 

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