Ex-presidente da Câmara de Ipojuca, suspeito de desvios de emendas, vai para prisão domiciliar

Decisão judicial, nesta segunda-feira (19), determina que Flávio do Cartório (PSD) use tornozeleira eletrônica e siga afastado da função pública

Por Raphael Guerra Publicado em 19/01/2026 às 15:43

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O vereador Flávio Henrique do Rêgo Souza, conhecido como Flávio do Cartório (PSD), teve a prisão preventiva convertida em domiciliar. Ex-presidente da Câmara Municipal de Ipojuca, ele é suspeito de envolvimento no esquema de desvios milionários de emendas parlamentares

A decisão judicial foi publicada nesta segunda-feira (19). Flávio do Cartório terá que usar tornozeleira eletrônica, seguirá afastado da função pública e não poderá ter contato com outros investigados e testemunhas. Além disso, não poderá ter acesso à Câmara nem à Prefeitura de Ipojuca.

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) havia apresentado parecer contrário ao pedido de revogação da prisão preventiva do vereador. Citou, inclusive, que ele foi flagrado com um policial da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil (Dintel) na tentativa de monitorar a investigação em curso. 

O vereador, até então presidente da Câmara, foi preso em 18 de novembro de 2025, um dia antes da deflagração da segunda fase da operação Alvitre, que investiga os desvios milionários.

Na ocasião, segundo o MPPE, ele estava acompanhado do vice-presidente da Câmara, Professor Eduardo (PSD), e do vereador Júlio Marinho (PP) em um carro estacionado no supermercado Mix Mateus, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife. No mesmo veículo, estava o policial da Dintel.

Flávio e o vice foram autuados por suspeita de lavagem de dinheiro, após serem flagrados com uma sacola com mais de R$ 14 mil em dinheiro no momento em que os policiais realizaram a abordagem. Anotações de valores que indicam possível esquema de "rachadinha" também foram achadas.

Na audiência de custódia, a Justiça decidiu pela liberdade provisória de ambos, mas Flávio permaneceu preso porque havia um mandado de prisão preventiva contra ele.

EMENDAS PARA ASSOCIAÇÃO DO PRESIDENTE DA CÂMARA

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Porto de Galinhas desde outubro de 2024, quando denúncias apontaram que associações estavam sendo beneficiadas com milhões de reais ilegalmente por meio de emendas parlamentares impositivas autorizadas por vereadores e pagas pela Prefeitura de Ipojuca.

Somente entre 2022 e 2024, os valores ultrapassaram mais de R$ 39 milhões.

Como se tratam de emendas impositivas, a Prefeitura é obrigada a fazer o repasse dos valores. No entanto, uma comissão é responsável por avaliar documentação como garantia de que as entidades beneficiadas cumprem com todas as regras previstas em lei.

A investigação identificou que Flávio é dono de uma das associações beneficiadas com R$ 12 milhões.

Até 2023, essa entidade funcionava como uma espécie de escolinha de esportes, com recebimento médio de R$ 230 mil. A partir daquele ano, houve um salto para R$ 5 milhões em valores pagos por meio de emendas impositivas.

Segundo o delegado Ney Luiz Rodrigues, a associação passou a fornecer prestação de serviços de saúde, sem capacidade técnica para execução. Parentes de Flávio também estavam ligados à entidade.  

Em parecer à Justiça, o MPPE pontuou que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações incompatíveis com a capacidade econômico-financeira declarada de Flávio, no período analisado de 1º de abril de 2021 a 3 de julho de 2024, cujo valor financeiro total foi de R$ 3.717.336,86.

A análise do Coaf identificou ainda o "fracionamento de depósitos para burlar limites de notificação" e "depósitos em espécie via terminais de autoatendimento sem identificação de origem".

 

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