SISTEMA PRISIONAL | Notícia

Após 3 meses da inauguração, novo presídio do Complexo do Curado, no Recife, segue vazio

Parte dos detentos do Presídio de Igarassu, o mais superlotado do Estado e alvo de recente operação, vai ser transferida para a nova unidade

Por Raphael Guerra Publicado em 12/03/2025 às 13:20

Após três meses da inauguração, com a presença da governadora Raquel Lyra, o Presídio Policial Penal Leonardo Lago (PLL), que compõe o Complexo Prisional do Curado, na Zona Oeste do Recife, continua vazio. Com 954 vagas, a unidade será ocupada por parte dos detentos do Presídio de Igarassu, o mais superlotado do Estado e que foi alvo de recente operação para prender policiais penais suspeitos de corrupção

O novo presídio faz parte do pacote de promessas da atual gestão para diminuir o histórico déficit de vagas no sistema prisional de Pernambuco. Há mais de 29 mil presos em regime fechado ou semiliberdade, mas a capacidade é de cerca de 14 mil vagas. A taxa de ocupação média é de 213%, segundo dados consolidados em janeiro deste ano. 

A construção de novas unidades também é uma forma de o Estado tentar assumir o controle em relação aos presos, que seguem comandando alas/pavilhões de presídios e dando ordens extramuros para integrantes de facções especializadas em homicídios e tráfico de drogas.

Prova disso é o que ocorria no Presídio de Igarassu, onde o presidiário Lyferson Barbosa da Silva liderava um pavilhão e mantinha contato por meio do WhatsApp com os policiais penais. Ele tinha autorização para receber e produzir drogas, realizar festas com garotas de programa e bebidas alcoólicas, além de outros benefícios ilegais. Em troca, transferia dinheiro via Pix, pagava comidas por delivery e dava outros presentes para os policiais penais.

O esquema durou anos e foi interrompido com a deflagração da operação da Polícia Federal, no dia 25 de fevereiro, quando oito policiais penais foram presos preventivamente, incluindo o ex-diretor Charles Belarmino de Queiroz. 

No Presídio de Igarassu, há mais de 5 mil detentos. Mas só cabem cerca de 1,2 mil. 

NOVO PRESÍDIO AINDA NÃO RECEBEU PRESOS

Hesiodo Góes/Secom
Presídio Policial Penal Leonardo Lago, no Complexo Prisional do Curado - Hesiodo Góes/Secom

Segundo a gestão estadual, o Presídio Policial Penal Leonardo Lago tem área de 9,5 mil metros quadrados, com cinco pavilhões, cada um com 24 celas, algumas adaptadas para acessibilidade. O custo foi de R$ 84,8 milhões nas obras.

Além da estrutura mais adequada na unidade, a Força Nacional de Segurança esteve, no ano passado, em Pernambuco para treinar os policiais penais como forma de ampliar as ações de mais controle na unidade prisional. 

Na inauguração, em 3 de dezembro de 2024, representantes da gestão haviam dito que a transferência de detentos para o novo presídio ocorreria nos dias seguintes, mas que isso não seria detalhado por "questões de segurança". 

Procurada pela coluna nesta quarta-feira (12), a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária e Ressocialização não informou o motivo da demora na transferência dos detentos para a nova unidade. Mas afirmou que isso ocorrerá até o final deste mês. 

"É a 25ª [unidade] a compor o sistema carcerário do estado. A ocupação pelas pessoas privadas de liberdade ocorrerá de forma gradativa", disse a pasta. 

PROMESSA DE MAIS VAGAS

O programa Juntos pela Segurança promete criar, até o final de 2026, cerca de 7 mil novas vagas no sistema prisional do Estado.

A próxima entrega deve ocorrer entre agosto e setembro deste ano, quando está prevista a conclusão das obras remanescentes de três unidades masculinas no Complexo Prisional de Araçoiaba, no Grande Recife. Juntas, somam 1.164 vagas. 

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