Pacientes denunciam demora para cirurgias no HGV; hospital diz que procedimentos seguem critérios de prioridade

Internados relatam cancelamentos após horas em jejum e espera de semanas; direção afirma que paciente citada está com cirurgia agendada

Por JC Publicado em 21/08/2026 às 19:23 | Atualizado em 21/08/2026 às 19:30

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Pacientes internados no Hospital Getúlio Vargas (HGV), no Recife, denunciam demora para a realização de cirurgias e falta de previsão para os procedimentos. Entre os relatos estão cancelamentos após horas em jejum e pacientes que permaneceriam internados por semanas à espera de uma operação. A direção do hospital, por outro lado, afirma que os procedimentos seguem critérios técnicos de prioridade e que as escalas de profissionais estão completas.

Uma das pacientes é Lucicleide Ramos Ferreira, de 53 anos, que está internada há quase 15 dias à espera de uma cirurgia para retirada da vesícula. Segundo ela, somente no setor onde está internada há 17 pessoas aguardando pelo mesmo procedimento.

Lucicleide afirma que os pacientes são colocados em dieta zero enquanto aguardam a possibilidade de realização da cirurgia. Em alguns casos, segundo ela, o cancelamento só é comunicado no fim do dia, após horas sem alimentação.

“Tem 17 pessoas esperando essa cirurgia de vesícula que o médico coloca na dieta zero. Passa o dia todinho com fome e, quando dá 15 horas, 16 horas, não é nem ele que vem me avisar. Quem vem é a enfermeira. Manda sair da dieta, manda comer porque suspenderam a cirurgia”, relatou.

Pacientes relatam espera de semanas

De acordo com a paciente, há pessoas internadas há 20 ou 25 dias e até um mês e meio aguardando por cirurgia. Lucicleide também afirma que alguns pacientes chegam a ser encaminhados ao bloco cirúrgico, mas retornam sem realizar o procedimento.

“Só diz que existe uma fila e essa fila nunca acaba”, afirmou.

Segundo Lucicleide, alguns pacientes teriam subido até cinco vezes ao bloco cirúrgico sem conseguir realizar a operação. Ela atribui parte da demora à quantidade de profissionais disponíveis e afirma que dois médicos estariam afastados e apenas um estaria realizando as cirurgias.

A espera prolongada também estaria afetando emocionalmente os pacientes. Lucicleide relata crises de ansiedade entre os internados e cita o caso de uma mulher que está há cerca de 20 dias no hospital e tem três filhos autistas em casa, sob os cuidados da avó, de 80 anos.

“Ela ficou aqui doidinha. Todo mundo aqui está endoidando, todo mundo está tendo crise de ansiedade”, contou.

Hospital afirma que cirurgia está agendada

Em nota, a direção do Hospital Getúlio Vargas informou que os pacientes recebem acompanhamento multiprofissional durante todo o período de internação, com avaliações e condutas registradas em prontuário.

Segundo o hospital, a realização das cirurgias segue critérios técnicos de prioridade, conforme a gravidade e a urgência de cada caso. Sobre Lucicleide, a direção afirmou que o procedimento cirúrgico indicado para a paciente está agendado para os próximos dias.

O HGV também declarou que trabalha com as escalas completas e que eventuais necessidades operacionais são supridas por meio de plantões extraordinários, garantindo a continuidade da assistência e o funcionamento dos serviços prestados à população.

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