Nutricionistas voluntárias contribuem para a recuperação de pacientes no mutirão de cirurgias de hérnia no Recife
Pacientes operados no Hospital Santo Amaro recebem orientação nutricional para favorecer cicatrização, reduzir complicações e acelerar recuperação
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O Hospital Santo Amaro, da Santa Casa de Misericórdia do Recife, no bairro de Santo Amaro, área central do Recife, tem realizado a maior parte das cirurgias do Mutirão de Cirurgias de Hérnia da cidade. Ao todo, a instituição realizará 100 procedimentos até o fim da iniciativa. A ação, realizada pela Sociedade Brasileira de Hérnia da Parede Abdominal (SBH), vai até o dia 3 de julho. No hospital, o cuidado com os pacientes já submetidos à cirurgia de hérnia tem ido além do bloco cirúrgico e passam por um acompanhamento nutricional.
O mutirão reúne instituições de referência em saúde para ampliar o acesso da população à cirurgia de hérnia da parede abdominal e reduzir filas de espera. As hérnias, vale frisar, são uma abertura na musculatura abdominal que permitem a passagem de uma porção de órgão ou gordura através dela.
Nesta terça-feira (30), um grupo de nutricionistas voluntárias ofereceu, no Hospital Santo Amaro, atendimento individualizado para garantir que cada paciente receba orientações específicas sobre o que consumir e o que evitar no pós-operatório. O objetivo é utilizar a alimentação como uma ferramenta estratégica para promover uma recuperação mais segura e rápida.
"Quando soube da ação, me coloquei à disposição e chamei amigas nutricionistas para abraçarem essa causa. Estamos realizando orientações nutricionais focadas no pós-operatório, indicando os alimentos mais adequados e suplementações de acordo com a individualidade de cada um, como pacientes com hipertensão ou diabetes", explica a nutricionista Thallyne Pereira.
A importância da alimentação na cicatrização
A assistência nutricional busca prevenir complicações que podem comprometer o sucesso da cirurgia. Segundo a nutricionista Uyara Lima, que também participou como voluntária no atendimento aos pacientes no Hospital Santo Amaro, a ausência de uma orientação personalizada pode resultar em problemas como a ingestão insuficiente de proteínas, o que prejudica a cicatrização dos tecidos, e a deficiência de micronutrientes essenciais, como zinco, ferro e vitaminas A e C.
Outro ponto crítico combatido pelas especialistas é a constipação intestinal. "Ela acaba aumentando o esforço para evacuar, o que gera mais dor e pressão justamente sobre a região operada", alerta Uyara.
Além disso, o acompanhamento busca evitar a perda de massa muscular e o ganho excessivo de peso durante o período de repouso, fatores que impactam diretamente o tempo necessário para que o paciente retome suas atividades cotidianas.
Solidariedade em rede
Para Thallyne Pereira, o trabalho voluntário no Hospital Santo Amaro representa uma forma de retribuição social.
"A gente está aqui para servir. É muito boa essa sensação de ser útil e ajudar ao próximo, especialmente sabendo o quanto esse acompanhamento é importante para quem mais precisa", afirma.
O mutirão, que além da Santa Casa de Misericórdia do Recife, também ocorre no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) e em outros 12 hospitais da rede pública, é uma resposta ao cenário de cerca de 2.401 pacientes que aguardam por cirurgia no Estado de Pernambuco.
Serão realizadas, ao longo do mutirão, mais de 200 cirurgias em pacientes que aguardam na fila do Sistema Único de Saúde (SUS).
Por meio da união entre a técnica cirúrgica e o suporte nutricional, a iniciativa busca oferecer não apenas a resolução do problema físico, mas também uma reabilitação completa e humanizada.
"É o nutricionista que avalia as necessidades individuais de cada paciente, orienta a alimentação de acordo com a fase da recuperação e, quando necessário, indica estratégias ou suplementação para favorecer a cicatrização, preservar a massa muscular e reduzir o risco de complicações relacionadas ao estado nutricional", ressalta Uyara Lima.