Sete em cada dez quedas de pessoas idosas acontecem dentro de casa, alertam especialistas
Pesquisa realizada pela Fiocruz em parceria com a UFMG revelou que quatro em cada dez idosos que vivem em áreas urbanas brasileiras têm medo de cair
Clique aqui e escute a matéria
Quedas estão entre os principais riscos à saúde da população idosa e, na maioria dos casos, acontecem dentro do próprio ambiente doméstico. Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 70% desses acidentes ocorrem em casa, muitas vezes em situações que poderiam ser evitadas com adaptações simples no espaço e cuidados voltados à manutenção da capacidade física.
O tema ganha destaque neste 24 de junho, Dia Mundial da Prevenção de Quedas, data que busca conscientizar sobre medidas capazes de reduzir acidentes e preservar a autonomia das pessoas idosas.
Uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), divulgada em maio de 2026, revelou que quatro em cada dez idosos que vivem em áreas urbanas brasileiras têm medo de cair. Entre as mulheres, esse percentual chega a 50%, enquanto entre pessoas com 80 anos ou mais alcança 63%.
Embora calçadas e vias públicas sejam frequentemente apontadas como locais de insegurança, especialistas alertam que o ambiente doméstico concentra a maior parte dos acidentes. Tapetes soltos, corredores mal iluminados, banheiros sem apoio adequado e móveis posicionados em áreas de circulação estão entre os principais fatores de risco.
Adaptação da casa pode prevenir acidentes
Para a terapeuta ocupacional Genaína Couto, diretora da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de Pernambuco (SBGG-PE), a prevenção começa com uma avaliação cuidadosa da residência.
“A casa precisa acompanhar o processo de envelhecimento. Muitas vezes, ambientes que eram seguros anos atrás deixam de ser adequados com o passar do tempo. Pequenas adaptações podem reduzir significativamente o risco de quedas e ajudar a preservar a independência da pessoa idosa”, afirma.
Segundo a especialista, é importante observar os espaços mais utilizados no dia a dia e identificar possíveis obstáculos que possam comprometer a segurança.
Entre as medidas mais recomendadas estão a instalação de barras de apoio em banheiros, utilização de pisos antiderrapantes, retirada de tapetes e passadeiras, melhoria da iluminação dos ambientes e reorganização dos móveis para garantir áreas de circulação livres.
Também é indicado manter objetos de uso frequente ao alcance das mãos, evitando que a pessoa precise subir em bancos ou escadas para acessá-los.
Exercícios ajudam a reduzir o risco de quedas
Além das adaptações no ambiente, especialistas destacam a importância da atividade física na prevenção de quedas.
De acordo com Jairo Lima Neto, profissional de Educação Física, especialista em gerontologia e integrante da SBGG-PE, exercícios voltados ao fortalecimento muscular e ao equilíbrio ajudam a melhorar a estabilidade corporal e a capacidade de reação diante de situações de risco.
“A prática regular de exercícios contribui para aumentar a força, melhorar o equilíbrio e preservar a autonomia funcional. Isso reduz tanto a probabilidade de quedas quanto a gravidade das consequências quando elas acontecem”, explica.
Entre as atividades mais indicadas estão exercícios de fortalecimento muscular com pesos, faixas elásticas ou o próprio peso corporal, além de caminhadas, exercícios de equilíbrio, mobilidade e flexibilidade.
Combate à sarcopenia é fundamental
Outro fator que influencia diretamente o risco de quedas é a sarcopenia, condição caracterizada pela perda progressiva de massa e força muscular ao longo do envelhecimento.
Segundo Jairo Lima Neto, a combinação entre exercícios resistidos e alimentação adequada pode retardar esse processo e contribuir para a manutenção da independência.
“Com orientação profissional, é possível preservar a força muscular e o equilíbrio por mais tempo. Exercícios de fortalecimento associados a uma ingestão adequada de proteínas estão entre as principais estratégias para prevenir a sarcopenia e garantir mais segurança nas atividades cotidianas”, destaca.
Especialistas reforçam que a prevenção de quedas deve fazer parte do cuidado contínuo com a saúde da pessoa idosa. A combinação entre ambientes seguros, hábitos saudáveis e acompanhamento profissional pode reduzir riscos, preservar a autonomia e contribuir para um envelhecimento mais ativo e seguro.