Casos graves de doenças respiratórias aumentam entre jovens, adultos e idosos no Brasil, aponta InfoGripe

O aumento de hospitalizações está ligado aos vírus influenza A e B em adultos e ao VSR em crianças pequenas, segundo o levantamento

Por Aisha Vitória Publicado em 18/06/2026 às 17:32 | Atualizado em 08/07/2026 às 11:45

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O número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) voltou a crescer entre jovens, adultos e idosos no Brasil, segundo o novo Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira (18).

O levantamento indica que o avanço está relacionado principalmente ao aumento das hospitalizações causadas pelos vírus influenza A e B nessas faixas etárias e pelo vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças pequenas.

A análise considera a Semana Epidemiológica 23, referente ao período entre 7 e 13 de junho. Apesar do crescimento entre a população adulta, o boletim aponta uma desaceleração nos casos de SRAG entre crianças de até 4 anos e queda nas ocorrências graves entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos.

Importância da vacinação

A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, reforçou a importância da vacinação contra a influenza, principalmente para pessoas dos grupos de maior risco, como crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes.

Segundo ela, também é recomendado que gestantes, a partir da 28ª semana de gravidez, recebam a vacina contra o vírus sincicial respiratório para ajudar na proteção dos bebês.

A pesquisadora também chamou atenção para o aumento, ainda que discreto, dos casos de Covid-19 em alguns estados. A orientação é que idosos e pessoas imunocomprometidas mantenham as doses de reforço da vacina atualizadas.

Além da vacinação, a Fiocruz recomenda medidas de prevenção, como o uso de máscaras em locais fechados ou com grande circulação de pessoas, especialmente em unidades de saúde, isolamento em caso de sintomas gripais e uso de máscara caso seja necessário sair de casa durante um quadro respiratório.

Situação nos estados e capitais

De acordo com o boletim, 14 das 27 unidades federativas apresentam níveis de incidência de SRAG considerados de alerta, risco ou alto risco, com tendência de crescimento nas últimas seis semanas. Entre elas estão Acre, Alagoas, Amapá, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e São Paulo.

Outros nove estados apresentam níveis elevados de incidência, mas sem sinal de aumento na tendência de longo prazo: Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Os casos graves provocados pelo VSR continuam em alta em estados do Nordeste, como Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão e Rio Grande do Norte, além de unidades das regiões Sul, Norte e Sudeste. Em Pernambuco, os casos seguem elevados, mas já apresentam sinais de estabilização ou redução.

Entre as capitais, 11 registram nível de alerta, risco ou alto risco com tendência de crescimento de SRAG, incluindo Belém, Belo Horizonte, Boa Vista, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis, Macapá, Porto Alegre, Rio Branco, São Luís e Vitória.

Outras 12 capitais também apresentam níveis elevados, mas sem crescimento na tendência de longo prazo.

Foto: Divulgação/Fiocruz
Novo Boletim InfoGripe da Fiocruz informa aumento de casos de SRAG - Foto: Divulgação/Fiocruz

Influenza segue como principal preocupação entre idosos

Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, entre os casos positivos de vírus respiratórios, o VSR representou 51,4% das ocorrências, seguido pelo rinovírus (23,9%), influenza A (19,1%), influenza B (7,1%) e Covid-19 (2,2%).

Entre os óbitos relacionados a vírus respiratórios no mesmo período, a influenza A foi responsável pela maior proporção, com 43,7% dos registros positivos.

Em 2026, o país já contabiliza 89.725 notificações de SRAG. Desse total, 44.485 tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, enquanto 31.637 foram negativos e outros casos ainda aguardam confirmação.

Também foram registrados 3.842 óbitos por SRAG neste ano. Entre os casos com confirmação viral, a influenza A aparece como principal causa, especialmente entre pessoas idosas.

O boletim destaca que a incidência de SRAG permanece mais elevada entre crianças pequenas, principalmente por causa do VSR, enquanto a mortalidade é maior entre idosos, com destaque para os casos associados à influenza A.

O InfoGripe é uma estratégia vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS) que acompanha a circulação de vírus respiratórios e auxilia as autoridades de saúde na identificação de áreas prioritárias para ações de prevenção e resposta.

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