São João e Copa do Mundo reforçam alerta sobre impactos de ruídos em pessoas neurodivergentes

Pessoas neurodivergentes processam sons de forma diferente, fazendo estímulos comuns parecerem muito mais intensos

Por Aisha Vitória Publicado em 02/06/2026 às 20:28

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Junho chega marcado por duas grandes celebrações que movimentam os brasileiros: as festas juninas e a Copa do Mundo. O período costuma ser acompanhado por comemorações com músicas altas, fogos de artifício, gritos e manifestações de euforia que fazem parte da cultura popular.

No entanto, especialistas alertam para a necessidade de atenção aos impactos desses estímulos em pessoas com maior sensibilidade auditiva, especialmente indivíduos neurodivergentes.

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Brasil possui cerca de 2,5 milhões de pessoas diagnosticadas com transtorno do espectro autista (TEA). Entre as características frequentemente associadas ao grupo está a hipersensibilidade sensorial, principalmente auditiva.

Processamento de sons para pessoas atípicas

Segundo a psicopedagoga, analista do comportamento e mãe atípica Cinthia Cardoso, pessoas com funcionamento neurológico atípico podem processar os sons de maneira diferente, o que faz com que estímulos considerados comuns sejam percebidos de forma mais intensa e, em alguns casos, dolorosa.

“O uso desses artifícios pode alterar a saúde e até causar uma parada cardíaca em neurotípicos, neurodivergentes, pessoas com problemas cardíacos, animais e qualquer outro ser que tenha hipersensibilidade e possa ter uma crise de saúde diante da surpresa de fogos de artifício”, afirma.

Em Pernambuco, a legislação estadual proíbe a queima e a soltura de fogos de artifício com estampido. A medida está prevista na Lei nº 15.736/2016, posteriormente atualizada pela Lei nº 17.195/2021, e vale para espaços públicos e privados.

O objetivo é reduzir impactos sobre pessoas com sensibilidade auditiva, além de proteger outros grupos vulneráveis.

Conscientização

Apesar da proibição, a especialista destaca que a aplicação da norma ainda enfrenta desafios e reforça a necessidade de conscientização da população.

“Com a festa, ninguém quer acabar. Com a venda, que leva sustento para a casa de quem vende, também ninguém quer acabar. Mas vamos pensar que há pessoas com a saúde mais vulnerável nesse exato momento”, diz.

Cinthia também ressalta que organizadores de eventos, condomínios e comunidades podem adotar medidas simples para tornar as comemorações mais inclusivas, como identificar moradores com hipersensibilidade e buscar soluções que reduzam os impactos sonoros.

Além da conscientização coletiva, familiares de pessoas autistas podem tomar algumas medidas para diminuir o desconforto durante o período festivo. Entre as orientações estão conversar antecipadamente sobre os eventos e situações que irão ocorrer, criar ambientes tranquilos para acolhimento em momentos de sobrecarga sensorial e utilizar abafadores ou fones de proteção auditiva.

Especialistas destacam que preservar as tradições culturais e ampliar a acessibilidade não são objetivos incompatíveis. A adoção de alternativas menos agressivas pode contribuir para que as celebrações sejam aproveitadas por mais pessoas, sem comprometer a saúde e o bem-estar de grupos mais vulneráveis.

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