Sintomas comuns dificultam identificação da APLV nos primeiros meses de vida

Condição é a alergia alimentar mais frequente na infância e pode apresentar sinais semelhantes a quadros comuns em bebês

Por Aisha Vitória Publicado em 14/05/2026 às 14:54

Clique aqui e escute a matéria

Durante os primeiros meses de vida, sintomas como choro frequente, vômitos e cólicas costumam ser vistos como parte natural do desenvolvimento do bebê.

No entanto, em alguns casos, esses sinais podem indicar a Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV), considerada a alergia alimentar mais comum na infância e ainda um desafio para o diagnóstico precoce.

Segundo posicionamento conjunto da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), as alergias alimentares afetam entre 8% e 10% de crianças e adultos, causando impactos significativos na qualidade de vida dos pacientes e das famílias.

Entre elas, a APLV se destaca nos primeiros anos de vida, fase em que os sintomas costumam ser inespecíficos e podem se manifestar de formas variadas.

Principal desafio

De acordo com a gastroenterologista pediátrica Dra. Cristina Targa, o principal desafio está justamente na semelhança entre os sinais da alergia e manifestações comuns da infância.

“Muitas vezes, não existe um sintoma único que indique a APLV, mas um conjunto de sinais que precisam ser observados ao longo do tempo”, explica.

A especialista destaca ainda que a alergia pode se apresentar de maneiras diferentes, dependendo da resposta imunológica do organismo. Em alguns casos, os sintomas surgem logo após a ingestão de leite e derivados; em outros, podem aparecer horas ou até dias depois, dificultando a associação direta com o alimento.

Na prática, o diagnóstico costuma ser construído a partir da análise do histórico clínico do bebê, da frequência e intensidade dos sintomas e da observação da resposta à exclusão da proteína do leite da alimentação.

Sinais de atenção

Entre os principais sinais de atenção para a APLV estão:

  • Irritabilidade frequente e choro persistente;
  • Cólicas intensas;
  • Vômitos ou refluxo recorrente;
  • Diarreia ou constipação;
  • Presença de sangue nas fezes;
  • Dermatites e manchas na pele associadas a outros sintomas;
  • Congestão nasal e sintomas respiratórios;
  • Dificuldade no ganho de peso.

A médica ressalta que a condição não é confirmada por um único exame. O processo diagnóstico inclui etapas como dieta de exclusão e posterior reintrodução da proteína do leite para verificar a reação do organismo.

Outro ponto importante é que a APLV também pode ocorrer em bebês em aleitamento materno exclusivo, já que proteínas do leite consumidas pela mãe podem ser transferidas para a criança.

Nesses casos, a investigação alimentar deve considerar também a dieta materna, sempre com acompanhamento profissional. Ainda assim, a amamentação pode ser mantida.

Processo até o diagnóstico

Para muitas famílias, o processo até o diagnóstico costuma ser marcado por dúvidas e insegurança. A persistência dos sintomas e a dificuldade em identificar a causa podem impactar a rotina familiar e o bem-estar da criança.

“Com informação e acompanhamento adequado, é possível tornar essa jornada mais leve e garantir o tratamento correto para a criança”, conclui a especialista.

A discussão sobre a APLV ganha destaque durante a Semana Nacional de Conscientização da Alergia Alimentar, realizada entre os dias 11 e 17 de maio.

Entre maio e junho, a Danone, em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria, promove uma campanha nacional de conscientização sobre a condição, com conteúdos educativos voltados a pais, responsáveis e profissionais de saúde.

Saiba como acessar nossos canais do WhatsApp


#im #ll #ss #jornaldocommercio" />

Compartilhe

Tags