Recife recebe feira inédita que integra saberes dos terreiros ao cuidado em saúde no SUS

A capital pernambucana abrirá o circuito nacional da feira, que também passará pelo Distrito Federal, Acre, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul

Por Aisha Vitória Publicado em 12/05/2026 às 15:41

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O Recife será a primeira cidade do Brasil a receber, em 2026, a feira “Saberes Ancestrais dos Terreiros e o Cuidado na Atenção Primária à Saúde”, iniciativa promovida pelo Ministério da Saúde, por meio da Coordenação-Geral de Atenção à Saúde da População Negra (CGAPN), vinculada ao Departamento de Saúde da Família da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS).

O evento será realizado no dia 16 de maio, das 8h às 17h, no Terreiro Ilê Axé Obá Xangô, no bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife.

A capital pernambucana abrirá o circuito nacional da feira, que também passará pelo Distrito Federal, Acre, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul ao longo dos meses de maio e junho.

A escolha do Recife reforça o papel da cidade na implementação de políticas públicas voltadas à equidade racial na saúde e no reconhecimento dos terreiros de religiões de matriz africana e afro-indígena como espaços de acolhimento, cuidado e promoção da saúde complementar ao Sistema Único de Saúde (SUS), conforme prevê a Resolução nº 715/2023 do Conselho Nacional de Saúde.

Iniciativa

A iniciativa foi inspirada em experiências desenvolvidas há mais de 20 anos em Salvador, no Terreiro Casa Branca – Ilê Axé Iyá Nassô Oká –, reconhecido pela atuação no cuidado coletivo e na preservação de saberes ancestrais.

A proposta busca aproximar práticas tradicionais das ações da Atenção Primária à Saúde, ampliando o acesso da população negra aos serviços do SUS e reduzindo barreiras culturais no atendimento.

Segundo a coordenadora da Política de Saúde da População Negra do Recife, Pamella Paixão, a feira representa um avanço no reconhecimento das práticas culturais afro-brasileiras dentro das políticas públicas de saúde.

“Os terreiros sempre foram espaços de cuidado, acolhimento e construção coletiva. O que estamos fazendo é fortalecer esse reconhecimento dentro das políticas públicas, promovendo uma saúde mais acessível, respeitosa e conectada à realidade das comunidades”, afirmou.

Programação

Durante a programação, serão oferecidos serviços gratuitos como atualização da caderneta vacinal, testagem rápida para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e hepatites virais, orientações em saúde bucal, oferta de PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV), práticas integrativas e complementares, além de ações educativas sobre tuberculose, hanseníase e arboviroses. Também haverá incentivo à atividade física e realização de mamografias.

A programação inclui ainda feira cultural e de afroempreendedorismo, com participação de mulheres negras e empreendedores locais, comercialização de comidas típicas, exposição de livros de autoras negras e atividades infantis, como contação de histórias afrocentradas e oficinas de bonecas Abayomi.

Mesas de debate

Além das atividades de saúde e cultura, o evento contará com mesas de debate sobre saúde da população negra, práticas tradicionais de cuidado nos terreiros, direitos das comunidades tradicionais e enfrentamento ao racismo religioso, além de apresentações culturais ao longo do dia.

Para a coordenadora-geral de Atenção à Saúde da População Negra do Ministério da Saúde, Rose Santos, a iniciativa marca um avanço nas políticas de equidade racial dentro do SUS.

“Esse projeto reconhece os terreiros como espaços de promoção da saúde e valoriza os saberes tradicionais das comunidades de matriz africana e afro-brasileira. As feiras serão realizadas nas cinco regiões do país, reafirmando o compromisso com uma saúde sem racismo e mais integrada às realidades dos territórios”, destacou.

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