Páscoa e Semana Santa: o que quase ninguém te conta sobre peixe, chocolate e saúde

Nutricionistas explicam como aproveitar cardápios tradicionais, como preparações com peixe e chocolate, sem exagero e com escolhas saudáveis

Por Cinthya Leite Publicado em 03/04/2026 às 15:08 | Atualizado em 03/04/2026 às 15:10

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Tradicionalmente marcada por mudanças no cardápio, a Semana Santa costuma trazer mais peixe à mesa, além de chocolates e encontros familiares. O menu dos brasileiros costuma ganhar novos sabores. O peixe passa a ocupar lugar de destaque nas refeições, enquanto chocolates e encontros familiares marcam as celebrações da Páscoa.

Em meio a tantas opções, o período também levanta uma dúvida comum: é possível aproveitar as tradições sem comprometer a saúde?

A resposta passa menos por restrições e mais por escolhas equilibradas, desde o tipo de alimento até a forma de preparo e as quantidades consumidas.

Para a nutricionista Uyara Lima, quando feitas com atenção, essas escolhas podem transformar o cardápio típico da época em um aliado da saúde.

"O peixe é uma excelente fonte de proteína de alto valor biológico e, dependendo da espécie, rico em gorduras boas, como o ômega-3, que tem ação anti-inflamatória e contribui para a saúde cardiovascular", explica.

Entre as opções mais indicadas, estão salmão, sardinha, atum e tilápia. O bacalhau, tradicional nessa época, também pode fazer parte do cardápio, mas exige cuidado. "Ele costuma ter alto teor de sódio, então o processo de dessalgue e a forma de preparo fazem toda a diferença", destaca a nutricionista.

Na hora da compra, alguns sinais ajudam a garantir a qualidade do alimento. O peixe fresco deve apresentar odor suave, olhos brilhantes, carne firme e aspecto úmido. No caso do bacalhau, a orientação é optar por peças mais claras e bem conservadas.

Outro ponto importante é a forma de preparo. Embora o peixe seja naturalmente saudável, o modo de preparo pode alterar esse perfil. "Preparações fritas, excesso de azeite, molhos pesados e acompanhamentos muito calóricos podem transformar uma boa escolha em uma refeição desequilibrada", alerta Uyara.

A recomendação é priorizar preparações grelhadas, assadas ou cozidas, com temperos naturais.

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Entre as opções de peixes mais indicadas, estão salmão, sardinha, atum e tilápia. O bacalhau, tradicional nessa época, também pode fazer parte do cardápio, mas exige cuidado - Bagirov Fariz/Freepik

Promovendo saciedade

Para evitar o consumo excessivo de doces e chocolates, a nutricionista Gloria Maria Guizellini, professora do curso de Nutrição da Universidade Santo Amaro (Unisa), dá algiumas orientações para se evitar o consumo excessivo de alimentos e preparações especiais, muitas vezes ricos em calorias e açúcares, durante a Páscoa.

"Uma refeição equilibrada, contendo proteínas, carboidratos e fibras, ajuda a promover a saciedade, o que leva a uma redução da quantidade de doces consumidos. Além disso, é importante lembrar que, após o período festivo, a rotina alimentar saudável pode compensar eventuais excessos", esclarece a nutricionista. 

Os alimentos tradicionais da Páscoa, como pescados e chocolates, podem ser saudáveis. Para isso, Glória Maria recomenda estratégias para reduzir calorias, como diminuir o uso de azeite e outras gorduras nas preparações, aumentar o consumo de vegetais, não repetir refeições, não pular refeições e evitar bebidas alcoólicas.

"Essas práticas ajudam a controlar a ingestão calórica sem comprometer as interações sociais", pontua Gloria Maria.

Chocolate: nem todos são iguais

Especialmente no Domingo de Páscoa, os chocolates ganham destaque à mesa. Mas nem todos apresentam o mesmo valor nutricional.

Segundo a nutricionista Uyara Lima, chocolates com maior teor de cacau, acima de 70%, costumam ter menos açúcar e maior concentração de compostos antioxidantes. Já os chocolates ao leite e os recheados tendem a ter mais açúcar e gordura.

"O chocolate branco, tecnicamente, nem é considerado chocolate, porque não contém massa de cacau. Ele é feito basicamente com manteiga de cacau, açúcar e leite, o que aumenta o teor de gordura e açúcar", explica.

Os chocolates artesanais também ganham espaço na Páscoa. Em geral, são produzidos com cacau de melhor qualidade e passam por menor processamento. Ainda assim, a especialista recomenda observar a lista de ingredientes e a porcentagem de cacau.

Para pessoas em processo de emagrecimento ou com restrições alimentares, como diabetes, existem versões diet ou sem adição de açúcar. Mas isso não significa consumo liberado. "Muitas vezes, esses produtos têm maior teor de gordura para compensar o sabor. O ideal continua sendo a moderação", afirma Uyara.

Consumo de chocolates por crianças durante a Páscoa

De acordo com o Guia Alimentar para Crianças Menores de 2 anos, do Ministério da Saúde, recomenda-se que crianças até essa idade não devem ingerir alimentos com alto teor de sódio, gordura, conservantes e principalmente açúcar.

"Nesse período a criança está em fase de construção dos seus hábitos alimentares, e a ingestão precoce de alimentos ricos em açúcares pode prejudicar a aceitação de outros alimentos, como verduras, legumes e frutas” explica o nutricionista Tiago Souza, do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip). 

O ideal é que o chocolate seja inserido na rotina alimentar da criança a partir dos 3 anos e, na hora de eleger o chocolate que será oferecido, é importante analisar os ingredientes da composição.

O cacau em pó 100% sem adição de açúcar é o melhor tipo de chocolate a ser ofertado para a criança, seguido do chocolate amargo, que possui entre 70% e 80% de cacau e é pouco açucarado.

FREEPIK/BANCO DE IMAGENS
Ideal é que o chocolate seja inserido na rotina alimentar da criança a partir dos 3 anos e, na hora de eleger o que será oferecido, é importante analisar os ingredientes da composição - FREEPIK/BANCO DE IMAGENS

"O melhor a ser feito é sempre educar e oferecer pequenas porções, não importa se no dia a dia ou em ocasiões especiais, como a Páscoa", frisa o nutricionista.

É importante que pais ou responsáveis esteja ainda mais atento se as crianças possuem alguma alergia ou intolerância alimentar. "Nesse caso, é possível optar por chocolates veganos ou sem lactose. Hoje o mercado oferece essas alternativas", diz Tiago.

Consumo de álcool pede moderação

Outra presença comum nas celebrações é o vinho. Embora a bebida contenha compostos antioxidantes, como o resveratrol, isso não significa que o consumo seja necessariamente benéfico.

"O vinho pode fazer parte de momentos sociais, mas deve ser consumido com moderação. Para adultos saudáveis, pequenas quantidades podem ser incluídas, preferencialmente acompanhadas de refeições", orienta Uyara.

Uma estratégia simples para evitar exageros é intercalar o consumo de bebida alcoólica com água, o que ajuda na hidratação e reduz os efeitos negativos do álcool.

Depois dos excessos, o importante é retomar a rotina

Após períodos festivos, muitas pessoas sentem culpa por eventuais exageros. Para a nutricionista, esse sentimento pode ser mais prejudicial do que o próprio deslize alimentar.

"Um ou dois dias fora da rotina não são responsáveis por um ganho de peso significativo. O problema está na sequência de excessos e na dificuldade de retomar hábitos equilibrados", afirma Uyara.

A orientação é simples: voltar à rotina alimentar habitual o quanto antes, priorizando hidratação adequada, refeições equilibradas e regularidade nas refeições.

"Não é necessário compensar com dietas muito restritivas. Esse tipo de estratégia costuma gerar um ciclo de exagero e restrição que não se sustenta", ressalta.

No fim das contas, a chave está no equilíbrio. "Mais importante do que pensar em 'pode ou não pode' é desenvolver uma relação consciente com a alimentação. Assim, é possível aproveitar as celebrações sem abrir mão do cuidado com a saúde", conclui Uyara Lima. 

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