Quase metade dos casos de infecções respiratórias graves em Pernambuco são de crianças até dois anos
Estado conta com comitê de sazonalidade para monitorar o cenário, acompanhar casos de Srag, taxa de ocupação de leitos, entre outros
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Dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) apontam que quase metade dos casos notificados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Pernambuco até a Semana Epidemiológica 10 de 2026 foram em crianças de zero a dois anos (426 casos de um total de 885). De 8 a 14 de março de 2026 (semana epidemiológica 10), a rede estadual de saúde estava com 81% de ocupação nas UTIs pediátricas e 71% nas enfermarias pediátricas.
A SRAG trata-se de uma complicação de infecções de vírus como a gripe, o vírus sincicial respiratório (VSR), covid-19, entre outros. O VSR é uma das principais causas de infecção respiratória em bebês e crianças de até dois anos.
A secretaria aponta que os números de ocupação dos leitos pediátricos destinados à SRAG estão dentro do esperado para o período posterior ao Carnaval, com comportamento semelhante ao registrado nos dos anos anteriores.
O Plano de Contingência para Doenças Respiratórias na Infância, da SES-PE, orienta as ações de enfrentamento à sazonalidade dos vírus respiratórios no Estado. Dentro dessa estratégia, há um comitê de sazonalidade, responsável por reuniões semanais para monitoramento contínuo do cenário epidemiológico, incluindo o acompanhamento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), taxas de ocupação da rede assistencial e a necessidade de abertura de novos leitos.
Vacinação de gestantes
Em Pernambuco, 29.573 doses da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) foram aplicadas no período de dezembro de 2025 a 15 de março de 2026, segundo dados da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). O Estado recebeu 53.156 doses do imunizante.
Segundo a SES-PE, há monitoramento contínuo da cobertura entre as gestantes elegíveis, e são realizadas ações de sensibilização e orientação junto aos municípios. "Destaca-se, ainda, a realização de webinário sobre a estratégia de vacinação, bem como a elaboração e divulgação de documentos técnicos, para apoiar a qualificação das ações nos territórios", diz a pasta.
A secretaria afirma ainda que as unidades de saúde orientam as gestantes durante o pré-natal, para reforçar a importância da imunização para a proteção dos bebês, especialmente nos primeiros meses de vida. Além disso, estão sendo veiculados materiais informativos nas redes sociais sobre a importância da vacinação.
Imunização de bebês
O início da imunização com o anticorpo monoclonal nirsevimabe começou há pouco mais de um mês em Pernambuco, no dia 11 de fevereiro, em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata. Para a SES-PE, a imunização é essencial, já que Pernambuco está no período de sazonalidade dos vírus respiratórios na pediatria, que vai de março a agosto.
Até esta quinta-feira (19), o Estado tinha aplicado 759 doses do nirsevimabe, de um total de 6.365 recebidas pelo Ministério da Saúde. O imunizante pode ser encontrado prioritariamente em maternidades, leitos obstétricos conveniados ao SUS, nos centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIEs) e unidades de saúde da rede SUS.
Os recém-nascidos são imunizados nas próprias maternidades. Já as crianças prematuras e as de até 2 anos com comorbidades são atendidas pelos demais serviços de saúde, as quais devem ser resgatadas pelos municípios, segundo orientação do Ministério da Saúde. Crianças com as seguintes comorbidades podem ser imunizadas:
- cardiopatia congênita
- imunocomprometidos graves (inato ou adquirido)
- fibrose cística
- anomalias congênitas das vias aéreas
- doença Pulmonar Crônica (broncodisplasia)
- síndrome de Down
- doença Neuromuscular
Vale ressaltar ainda que as crianças prematuras nascidas após agosto de 2025 devem receber o anticorpo no início da sazonalidade deste ano, desde que tenham idade inferior a seis meses de vida. As crianças com comorbidades menores de 24 meses também devem ser imunizadas, desde que não tenha feito utilização do palivizumabe.