Neste fim de semana: governo anuncia maior mutirão da história do SUS para mulheres, em meio a desafios no atendimento
Iniciativa chama atenção pelo foco: consultas, exames e cirurgias, um recorte que dialoga com gargalos históricos no acesso a diagnósticos
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Em mais uma mobilização para enfrentar as filas do Sistema Único de Saúde (SUS), o governo federal aposta agora em um mutirão nacional voltado exclusivamente à saúde da mulher. A ação, marcada para este fim de semana (21 e 22 de março), mobiliza hospitais públicos, privados e filantrópicos em todo o País para atender pacientes previamente agendadas.
A iniciativa chama atenção pelo foco: consultas, exames e cirurgias direcionados ao público feminino, um recorte que dialoga com gargalos históricos no acesso a diagnósticos e tratamentos, especialmente em áreas como ginecologia e saúde reprodutiva.
Entre os serviços previstos, estão desde exames de imagem (como tomografias e ressonâncias) até cirurgias, incluindo histerectomia, laqueadura e reconstrução mamária.
Em Pernambuco, a programação começa no sábado (21), às 8h30, com a presença do diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência do Ministério da Saúde, Fernando Figueira, em visita ao Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Na unidade, a previsão é atender mais de 260 pacientes com cirurgias e exames.
Para ser atendido, é necessário já estar com o procedimento agendado no SUS. No HC-UFPE, estão previstas cirurgias plásticas, histeroscopias cirúrgicas, cirurgias ortopédicas; além de exames de cistoscopia, ultrassom (geral, de mama, obstétrica e de endometriose), densitometria, cintilografia óssea em mulheres, cintilografia renal dinâmica, ressonância magnética, tomografias, histeroscopias diagnósticas e biópsias.
Em seguida, às 10h30, Fernando Figueira estará no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), onde fará uma conferência remota, ao vivo, com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, como integração das ações que ocorrem em todo o Brasil.
Um dos destaques do mutirão é a oferta de cerca de 3,8 mil implantes contraceptivos subdérmicos (Implanon, que chega a custar cerca de R$ 4 mil na rede privada), método de longa duração que passou a ser disponibilizado pelo SUS recentemente. Embora ainda limitado em escala diante da demanda nacional, o acesso gratuito a esse tipo de tecnologia sinaliza uma ampliação, ainda que gradual, das opções de planejamento reprodutivo na rede pública.
Na prática, o mutirão também funciona como vitrine de um modelo que o governo tem tentado consolidar: concentrar atendimentos em ações pontuais para reduzir filas reprimidas. Segundo o Ministério da Saúde, edições anteriores da iniciativa, dentro do programa Agora Tem Especialistas, já somaram mais de 127 mil procedimentos.
Mas há um ponto que merece atenção: o alcance dessas ações continua condicionado à capacidade de organização local. O atendimento é restrito a pacientes já reguladas pelos sistemas municipais e estaduais, o que, na prática, mantém de fora quem ainda sequer conseguiu entrar na fila.
Por outro lado, medidas como a oferta de transporte (com vouchers para deslocamento em 40 cidades) e a previsão de apoio logístico para mulheres indígenas indicam um esforço de reduzir barreiras de acesso, um dos principais entraves históricos do SUS.
Mutirões são importantes para ajudar a aliviar a pressão imediata, mas não substituem a necessidade de ampliação estrutural da oferta de especialistas, exames e cirurgias na rede pública.
Ainda assim, ao colocar a saúde da mulher no centro da ação, o governo acerta no diagnóstico de uma demanda que, há anos, acumula-se e cobra resposta.
Santas Casas, hospitais federais e universitários
Para garantir essa ação, o Ministério da Saúde mobilizou instituições reconhecidas pelo atendimento especializado de qualidade. É o caso de Santas Casas e outras instituições filantrópicas em vários Estados brasileiros; dos seis hospitais federais e dos institutos nacionais de Cardiologia (INC), de Traumatologia e Ortopedia (Into) e de Câncer (Inca) que ficam no Rio de Janeiro (RJ); e dos 45 hospitais universitários federais da Rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), localizados em 25 Estados.
O público-alvo do mutirão da mulher do Agora Tem Especialistas são as crianças, as adolescentes, as jovens, as adultas e as idosas previamente agendadas pelos gestores de saúde dos municípios, de acordo com os critérios de suas centrais de regulação.
Nos dois dias de atendimento, serão ofertados, exames essenciais para o diagnóstico precoce de doenças. Também serão oferecidos procedimentos como tomografias, ressonâncias magnéticas e ultrassonografias, necessários para a definição de condutas médicas.
Além disso, estão agendadas cirurgias ginecológicas, como histerectomia, reconstrução mamária, retirada de tumor no útero e laqueadura; e gerais, como cirurgias de catarata, tratamento cirúrgico de varizes e retirada de hérnia, de vesícula e de tumores na pele.
Neste Mês da Mulher, esse será o quarto mutirão do SUS realizado no âmbito do programa Agora Tem Especialistas. Nas três primeiras edições, em 2025, brasileiros e brasileiras de todo o País, inclusive de territórios indígenas, foram submetidos a mais de 127 mil procedimentos, a fim de levar mais atendimento para a população e reduzir o tempo de espera.