HPV: data mundial reforça prevenção contra câncer do colo do útero

Doença é a quarta causa de morte por neoplasia entre mulheres no Brasil; vacinação e exames periódicos são as principais formas de proteção

Por Fagner Clemente Publicado em 04/03/2026 às 19:37

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O câncer do colo do útero permanece como um dos principais desafios de saúde pública no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a doença é a quarta causa de morte por neoplasia entre mulheres no país, com cerca de 7,2 mil óbitos por ano. Neste cenário, o Dia Internacional de Conscientização sobre o HPV, celebrado nesta quarta-feira (4), reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

A data integra as ações do Março Lilás e chama atenção para o papilomavírus humano (HPV), principal responsável pelo desenvolvimento do câncer do colo do útero. A campanha destaca a informação e o acompanhamento regular como estratégias essenciais para reduzir os índices da doença.

Dados do Inca mostram que as regiões Norte e Nordeste apresentam maior incidência e mortalidade acima da média global. Enquanto no mundo são registrados cerca de cinco óbitos a cada 100 mil mulheres, no Norte do Brasil a taxa chega a aproximadamente 10 por 100 mil. No Nordeste, o índice é de cerca de seis por 100 mil.

Atenção aos sinais

O câncer do colo do útero costuma ter evolução lenta e, nos estágios iniciais, geralmente não apresenta sintomas. Em fases mais avançadas, podem surgir sinais como sangramento vaginal fora do período menstrual, após relações sexuais ou na menopausa, além de corrimento persistente.

Segundo o ginecologista André Buarque, da Hapvida, outros sintomas também exigem atenção. “Sangramento vaginal anormal, corrimento persistente, constipação, trombose em membros inferiores e insuficiência renal”, exemplifica.

O especialista reforça que o cuidado preventivo deve fazer parte da rotina. “Mesmo na ausência de sintomas, é fundamental manter os exames em dia. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de tratamento eficaz, possibilitando desfechos favoráveis”, destaca. Ele ressalta ainda que o câncer se desenvolve a partir de lesões precursoras, chamadas de neoplasias intraepiteliais cervicais (NIC), que podem ser tratadas quando identificadas precocemente.

Vacinação e exames

A principal forma de prevenção é a vacinação contra o HPV, considerada a estratégia mais eficaz de proteção contra os tipos virais de maior risco. No Brasil, a imunização é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para adolescentes de 9 a 14 anos.

Além da vacina, o rastreamento regular é indispensável. O exame papanicolau segue como ferramenta fundamental para identificar alterações iniciais e ampliar as chances de tratamento bem-sucedido.

Conscientização permanente

As estimativas do Inca indicam cerca de 19.310 novos casos anuais no Brasil entre 2026 e 2028, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso à prevenção e ao diagnóstico. O Dia Internacional de Conscientização sobre o HPV e a campanha Março Lilás são oportunidades estratégicas para mobilizar a população em torno do cuidado com a saúde.

A orientação é manter a vacinação em dia, realizar exames periódicos e buscar atendimento médico diante de qualquer sinal de alerta. Informação, prevenção e diagnóstico precoce seguem como as principais ferramentas para reduzir os impactos do câncer do colo do útero no país.

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