Videocast debate obesidade e necessidade de mudar paradigma: de "falta de força de vontade" a doença crônica que exige cuidado contínuo

No Dia Mundial da Obesidade, videocast do JC debate avanço geracional da doença e necessidade de cuidado contínuo e abordagem multiprofissional

Por Cinthya Leite Publicado em 03/03/2026 às 21:03 | Atualizado em 03/03/2026 às 21:15

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Por décadas, a obesidade foi tratada como consequência exclusiva de escolhas individuais: um problema que poderia ser resolvido com disciplina, dieta e atividade física. O avanço consistente da doença em diferentes faixas etárias e regiões do mundo, porém, desmonta essa leitura simplificada e impõe uma revisão profunda no modo como sociedade, governos e sistemas de saúde lidam com o tema.

É nesse contexto que o videocast Saúde e Bem-Estar, do Jornal do Commercio, dedica o episódio 77 ao debate no Dia Mundial da Obesidade, lembrado em 4 de março. O debate começa às 20h, com transmissão pelo JC Play e pelo Instagram @jc_pe. A proposta é discutir a obesidade como doença crônica, multifatorial e de cuidado contínuo, e não apenas como resultado de comportamento individual.

Os dados mais recentes reforçam a urgência da discussão. O Atlas Mundial da Obesidade 2026 aponta que 20,7% das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos vivem com sobrepeso ou obesidade - percentual superior aos 14,6% registrados em 2010. A projeção é que, até 2040, mais de 500 milhões de jovens estejam nessa condição.

Mais do que um número, trata-se de uma tendência geracional. E isso altera o perfil epidemiológico das próximas décadas.

REPRODUÇÃO
O episódio 77 do videocast Saúde e Bem-Estar conta com a participação da nutricionista Uyara Lima, da cirurgiã Luciana Siqueira e do profissional de educação física Cláudio Barnabé - REPRODUÇÃO

Doença crônica, risco precoce

Reconhecida como doença crônica, a obesidade envolve mecanismos hormonais, metabólicos, ambientais e sociais. Não se limita ao excesso de peso visível: está associada a um conjunto de desregulações que aumentam o risco de hipertensão, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e outras complicações.

O próprio Atlas projeta que, nas próximas décadas, milhões de crianças e adolescentes poderão apresentar sinais precoces de doença cardiovascular e hipertensão. Doenças que, até pouco tempo atrás, eram predominantes entre idosos passam a surgir cada vez mais cedo.

Esse deslocamento etário tem implicações diretas para os sistemas de saúde. Significa maior demanda por acompanhamento contínuo, uso prolongado de medicamentos, necessidade de equipes multiprofissionais e aumento de custos assistenciais ao longo da vida.

Do estilo de vida à abordagem multiprofissional

Durante o episódio 77, o debate reúne diferentes perspectivas sobre prevenção e tratamento, a partir da visão dos convidados. Estarão na bancada: 

  • Cláudio Barnabé, profissional de educação física e fisiologista clínico do exercício, analisará os efeitos do sedentarismo e a importância da atividade física como componente terapêutico estruturado;
  • Luciana Siqueira, cirurgiã e vice-coordenadora da Residência em Cirurgia Bariátrica do HC/UFPE, discutirá critérios clínicos, indicações e resultados da cirurgia bariátrica e de tratamentos medicamentosos dentro de protocolos baseados em evidências;
  • Uyara Lima, nutricionista especialista em cirurgia bariátrica e emagrecimento, abordará estratégias alimentares sustentáveis e o acompanhamento nutricional como parte do cuidado de longo prazo.

Ao lado da jornalista Cinthya Leite, os especialistas discutirão os limites da abordagem centrada apenas na força de vontade e reforçam que a obesidade exige acompanhamento clínico, suporte psicológico, políticas públicas e combate ao estigma.

No Dia Mundial da Obesidade, o debate proposto pelo videocast Saúde e Bem-Estar se insere em uma discussão maior: como transformar conhecimento científico em política pública e cuidado efetivo.

Se a obesidade é uma doença crônica, seu enfrentamento também precisa ser contínuo, estruturado e coletivo. Caso contrário, o custo não será apenas estatístico; será vivido, ao longo das próximas décadas, por uma geração que envelhecerá mais cedo sob o peso de doenças que poderiam ser prevenidas.

O público pode participar enviando perguntas durante a transmissão ao vivo.

Um desafio que ultrapassa o consultório

O Atlas Mundial da Obesidade também aponta que muitos países seguem sem implementar de forma consistente medidas já reconhecidas como eficazes, como tributação de bebidas açucaradas, restrições à publicidade infantil de alimentos ultraprocessados e ampliação de ambientes favoráveis à prática de atividade física.

O avanço da obesidade, especialmente entre jovens, indica que o problema não está apenas nas escolhas individuais, mas no ambiente alimentar, urbano e social. É um desafio que atravessa gerações, pressiona sistemas de saúde e amplia desigualdades.

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