Hospital Pelópidas Silveira economiza R$ 430 mil com uso de IA na farmácia clínica

IA otimiza prescrições em UTIs da unidade estadual e amplia segurança; tecnologia ajudou a evitar gastos desnecessários de R$ 430 mil em 19 meses

Por Maria Clara Trajano Publicado em 23/02/2026 às 17:15

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A integração entre a inteligência artificial (IA) e a prática da farmácia clínica gerou uma economia de R$ 430 mil ao Hospital Pelópidas Silveira (HPS), no Recife. O montante, poupado entre junho de 2024 e dezembro de 2025, é resultado da otimização do uso de medicamentos nas três unidades de terapia intensiva (UTIs) da instituição.

Mais do que a eficiência financeira, o projeto foca na segurança do paciente ao reduzir riscos de interações medicamentosas e dosagens inadequadas.

A iniciativa faz parte de um movimento global pela segurança do paciente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), erros de medicação são uma das principais causas de danos evitáveis em sistemas de saúde em todo o mundo.

No HPS, que integra a rede estadual de saúde de Pernambuco e é gerido pela Fundação Gestão Hospitalar Martiniano Fernandes (FGH), a tecnologia passou a atuar como uma camada extra de proteção na assistência de alta complexidade.

Como a tecnologia auxilia a decisão clínica

Os farmacêuticos do hospital utilizam a plataforma NoHarm.ai, um sistema que cruza dados do prontuário eletrônico para identificar possíveis falhas terapêuticas.

A ferramenta analisa variáveis como dose, via de administração, frequência e compatibilidade entre diferentes fármacos. O sistema também monitora o impacto dos remédios em órgãos específicos, como rins e fígado, alertando para potenciais reações adversas ou alergias.

O processo não é automatizado de forma isolada; ele depende da validação humana. A IA organiza uma lista de prioridades, apontando quais pacientes críticos ou quais prescrições apresentam maior probabilidade de erro.

Com esses alertas em mãos, o farmacêutico clínico realiza uma revisão detalhada, considerando também exames laboratoriais e o histórico do paciente, antes de sugerir alterações à equipe médica.

“Os farmacêuticos clínicos da UTI analisam os alertas gerados para confirmar se há ajustes necessários. As sugestões são repassadas para a equipe médica, que, na maioria das vezes, acata as alterações", explica Juliana Álvares, coordenadora da farmácia do HPS.

"Unindo inteligência artificial com conhecimento técnico dos profissionais envolvidos, conseguimos ofertar um tratamento personalizado e mais eficaz para os pacientes da UTI, que normalmente apresentam quadros graves e utilizam diversos tipos de medicamentos”, completa.

IA: O futuro do cuidar é humano

Adesão médica e impacto assistencial

A eficácia do sistema é medida pelo índice de aceitação das intervenções farmacêuticas pelos médicos. Em 2025, das 34 mil prescrições analisadas nas UTIs, 80% das sugestões de ajuste feitas pelos farmacêuticos foram acatadas pela equipe médica. Em 2024, o índice de adesão foi de 76%.

Essa sinergia entre as categorias profissionais reflete uma mudança na cultura hospitalar, priorizando o uso racional de recursos.

Ao evitar a administração de medicamentos em duplicidade ou desnecessários para o quadro clínico, o hospital não apenas reduz custos, mas também diminui o tempo de exposição do paciente a substâncias químicas, o que pode acelerar a recuperação.

Para o diretor-geral do HPS, Pedro Correia, o foco da inovação é a qualidade do cuidado. “Os dados mostram a importância de utilizar a tecnologia em prol do paciente, que é o foco principal das nossas ações diárias. Além disso, essa atividade reflete o alinhamento da equipe interdisciplinar na busca por ofertar uma assistência de qualidade”, afirma.

Números da operação (Junho/2024 - Dezembro/2025):

  • Economia total: R$ 430 mil
  • Prescrições analisadas: mais de 52 mil
  • Pacientes impactados: cerca de 2.500 vidas
  • Taxa de aceitação médica (2025): 80%

Reinvestimento na saúde pública

A economia gerada no setor de medicamentos permite que a gestão administrativa direcione recursos para outras áreas críticas da unidade. O Hospital Pelópidas Silveira é uma referência em cardiologia, neurologia e neurocirurgia, atendendo exclusivamente pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) regulados por centrais de leitos ou serviços de emergência como o Samu.

“Com a economia gerada, conseguimos redirecionar a verba para outras necessidades do hospital, o que impacta positivamente no atendimento prestado aos nossos pacientes”, pontua a diretora administrativo-financeira da unidade, Elizangela Alves.

Inaugurado em 2011, o hospital conta com infraestrutura para exames de alta complexidade, como cateterismo e tomografia.

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