Carnaval: especialistas orientam como evitar infecções intestinais durante a folia
Calor, comida de rua e mudanças na rotina aumentam o risco de contaminação; confira dicas para evitar desconforto e como lidar em casos de infecção
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O Carnaval leva milhares de pessoas às ruas em Pernambuco e altera completamente a rotina de quem acompanha os blocos. Em meio ao calor, às longas horas fora de casa e à alimentação muitas vezes feita em pontos improvisados, cresce a preocupação com a saúde intestinal.
Nesse período, serviços de saúde costumam registrar aumento de quadros de diarreia, náuseas e vômitos associados à ingestão de água ou alimentos contaminados.
As infecções intestinais são provocadas, principalmente, por vírus, bactérias e parasitas. Segundo Bruno Novaes, coordenador do curso de Enfermagem da Faculdade Senac, a combinação de exposição prolongada da comida, armazenamento inadequado e falhas na higiene cria o cenário ideal para a transmissão.
“Quando temos a exposição de alimentos, conservação e refrigeração inadequadas, além de pouco ou nenhum controle com a higiene, o ambiente se torna favorável para a proliferação de agentes infecciosos”, explica.
Os sintomas mais frequentes incluem:
- diarreia;
- dor abdominal;
- náuseas;
- vômitos.
Em algumas situações, podem surgir febre e mal-estar geral. O problema inspira atenção maior em crianças, idosos e pessoas com imunidade comprometida, já que há risco de desidratação.
“Esses sintomas apresentam risco maior para pessoas com imunidade comprometida, crianças e idosos; e podem contribuir para um caso de desidratação, caso não haja cuidados corretos”, acrescenta Novaes.
O que fazer para reduzir os riscos
Medidas simples ajudam a diminuir a chance de adoecer mesmo em dias intensos de festa. Lavar as mãos antes de comer e após usar o banheiro é uma das principais recomendações. Também é prudente evitar alimentos crus, preparações com molhos e itens cuja procedência ou forma de armazenamento sejam duvidosas.
A hidratação precisa ser constante, com preferência para água potável, água de coco e frutas higienizadas. Sair de casa já alimentado também faz diferença.
“Se alimentar bem antes de sair para brincar o carnaval também é ideal para fortalecer o organismo. A preferência deve ser para frutas e proteínas como ovos, para garantir uma nutrição equilibrada, além de energia para acompanhar os momentos de festa”, orienta Heytor Neco, especialista em parasitologia médica e professor da instituição.
Atenção redobrada se houver sintomas
Caso a infecção se instale, a conduta deve mudar. Alimentos gordurosos e industrializados tendem a piorar o desconforto gastrointestinal, enquanto a reposição de líquidos torna-se prioridade. A orientação é procurar avaliação de profissionais de saúde e evitar a automedicação.
“Durante um quadro infeccioso, o paciente deve evitar o consumo de alimentos industrializados e gordurosos. Também é importante reforçar a hidratação e procurar seguir a orientação de uma equipe de saúde, a fim de evitar automedicação, que pode agravar o quadro”, reforça Neco.
O consumo de bebidas alcoólicas também entra na lista de pontos de atenção. Como o álcool favorece a perda de líquidos, intercalar com água e não exagerar ajuda a reduzir complicações.
“O álcool tem um efeito diurético que faz com que o indivíduo elimine mais líquido pela urina. O ideal para quem consome bebida alcoólica é intercalar o consumo com água e evitar os excessos”, completa.